quinta-feira, agosto 16, 2012

Comparando...

Texto original de António José Telo - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Leia-se então:

"(...) A chamada «ditadura financeira» (1928-1932) deve ser entendida como a última de uma longa série de intervenções anormais na finança portuguesa que visam, na realidade, resolver o «problema político» do Estado. A série é iniciada em 1892, quando os teóricos da «vida nova» ensaiam pela primeira vez uma estratégia que começa pela acção financeira. Há um paralelo entre Oliveira Martins e Oliveira Salazar, como  dois políticos que, separados por quase quarenta anos, tentam algo de semelhante em conjunturas muito diferentes.

O que pretendem é resolver a crise da autoridade do Estado liberal na sua nova fase, que, em Portugal, começa em 1890-1891. Ambos pensam que a crise política e a crise financeira são interdependentes, como manifestações de um desajustamento do aparelho central do Estado, que se reflecte numa crise da autoridade. Na sua opinião, a reformulação do aparelho político central do Estado, nas condições muito peculiares de Portugal, terá de ser feita de cima para baixo, ou seja, terá de ser feita a partir do governo. Para tal é necessário que um pequeno grupo consiga antes o controle deste e o consolide através de uma obra financeira de austeridade, de modo a criar as condições para reformular as estruturas políticas. Como a política de austeridade é impopular, o governo que a exerce terá de, muito possivelmente, se apoiar numa ditadura. Para Oliveira Martins, tal implica a acção extraconstitucional do monarca, apoiado no exército; para Oliveira Salazar, a acção das forças armadas é directa.

De qualquer modo, a ditadura é uma mera fase transitória. O objectivo último é resolver a crise da  autoridade do Estado, através da construção de uma nova base de apoio social e da reformulação das estruturas do poder e da articulação das suas funções. A obra financeira é só um primeiro passo.

Na realidade, podemos dizer que só houve nestes quarenta anos um caso importante de tentativa de criação de uma unidade conservadora que não partiu de uma acção financeira. Trata-se de Sidónio Pais, numa conjuntura muito peculiar — a fase final da primeira guerra —, quando os problemas financeiros internos e externos foram «resolvidos» com soluções únicas e impossíveis de repetir: o primeiro pelo contrato com o Banco de Portugal de 1918 e o segundo pelo crédito de guerra da Inglaterra.

Há várias razões que explicam este paralelo entre Oliveira Martins e Salazar. Vou mencionar somente a principal: entre 1890-1891 e 1930-1931 vigora em Portugal um mesmo modelo económico, que passa por diversas fases. Não há espaço para caracterizar sequer resumidamente este modelo, mas podemos dizer que ele se identifica com a primeira revolução industrial. É uma «revolução industrial» à portuguesa: moderada, lenta, segundo padrões da Europa, centrada numa indústria ligeira sem competitividade internacional — salvo honrosas e raras excepções — e virada para dentro, para o mercado protegido do continente e do império.

Este modelo económico começa e acaba com duas importantes crises internacionais: a de 1890-1891 e a de 1929-1931. A primeira serve de base à curta passagem de Oliveira Martins pelo executivo. A segunda permite a Oliveira Salazar completar a obra financeira que iniciou em 1928 e, simultaneamente, criar a base social do «Estado Novo» e do modelo económico que começa em 1931.

É significativo, e de modo nenhum casual, que os pontos extremos deste modelo económico sejam marcados por fortes crises internacionais, que se reflectem em Portugal numa dimensão sobretudo financeira. Na realidade, o que está em causa em última instância é a forma de inserção de Portugal no sistema económico internacional e, dentro deste, o equilíbrio dos principais fluxos financeiros. As conjunturas de crise geral facilitam e apressam as mudanças, que assumem a forma de reajustamento dos fluxos financeiros internacionais. O que se pretende nas alturas de transição é encontrar um equilíbrio para as entradas e saídas regulares, através das quais se estabelece o futuro funcionamento estável do modelo."

Excerto de "A obra financeira de Salazar: a «ditadura financeira» como caminho para a unidade política, 1928-1932" em Análise Social, vol. XXIX (128), 1994 (4.°), 779-800. Acedido online à data deste post, através do link: Análise Social

sexta-feira, agosto 03, 2012

Pressão


E quer o povo português afiançar,
Que por mal-amada imposição,
Muito ouro se possa granjear,
Sem esforço feito em vão.

Pois cuidai-vos ó vis incautos,
Que a ignorância pode trucidar,
E nem os mais ignóbeis arautos,
Contra a natureza podem operar.

Do apoio há muito requerido,
Pouco se viu com resolução,
Meu exíguo Portugal querido,
Tanto vos faltai a retidão!

terça-feira, julho 17, 2012

Quote

"Os homens hesitam menos em ofender quem se faz amar do que em ofender quem se faz temer; porque o amor é mantido por um vínculo de obrigação que, por serem os homens pérfidos, é rompido por qualquer ocasião em benefício próprio; mas o temor é mantido por um medo de punição que não abandona jamais."

Niccolo Maquiavel

domingo, abril 01, 2012

Quote


Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um palácio abandonado...
Minha história não sei...
Longe em mim, fumo de eu pensá-la, morre
A ideia de que tive algum passado...

Eu não sei o que sou.
Não sei se sou o sonho
Que alguém do outro mundo esteja tendo...
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa história que um deus está relendo...

                      Fernando Pessoa

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Deep in space...

O vazio também tem o seu espaço... Talvez a humanidade se tenha esquecido disso.
Ou faria algum sentido dizer que determinado espaço não está vazio, estando? Certo?
Então como podemos ser tão brutos ao acreditar que o universo está repleto de zonas sem nada?
Na melhor das hipóteses, podemos apontar à ideia que há um vazio entre galáxias, mas não terá esse vazio um espaço próprio? E não estará esse espaço vazio repleto de algo? Se não tiver, como pode ser um espaço?
E como se mantém tudo no sitio?
Acredito que simplesmente não temos a capacidade tecnológica para saber o que está dentro do vazio... pois não creio que tamanho arquitecto tenha deixado ficar espaços em branco.

Just thinking...

MRC

sábado, fevereiro 18, 2012

Pluvo

Chuva é um fenómeno meteorológico que consiste na precipitação de gotas de água no estado líquido sobre a superfície da Terra e tem um papel importante no ciclo hidrológico.

E bem que nos está a fazer falta!

segunda-feira, janeiro 16, 2012

The Return of the Space Cowboy



Só para avisar que alguém está de volta... depois de muito trabalho de fim de ano.

Bom ano para todos.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Quote

Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo.


Pitágoras

quarta-feira, novembro 23, 2011

O Leão e o Porco

O rei dos animais, o rugidor leão, 
Com o porco engraçou, não sei por que razão. 
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna 
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna): 
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes, 
Poder de despachar os brutos pretendentes, 
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça, 
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça; 
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar, 
E a sua ocupação dormir, comer, fossar. 
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria, 
Soltavam contra ele injúria sobre injúria 
Os outros animais, dizendo-lhe com ira: 
«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!» 
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais, 
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais! 
Dos filhos para o génio olhai com madureza; 
Não há poder algum que mude a natureza: 
Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos 
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos. 


Bocage, in 'Fábulas'

quinta-feira, outubro 27, 2011

Rain

Finalmente chuva.
Maravilhosa chuva...
Que tanta vida trazes,
Que tanto sofrimento apagas destas calçadas!

Eterna chuva...
Que melodioso gotejar,
Quão fresca e jovial sois.

; )

O vazio que se sete na ausência de alguém querido apenas serve para relembrar o incrível espaço que essa mesma pessoa ocupa no nosso coração. Valorizar quem s ama apenas nos torna mais ágeis para receber o conforto do seu reencontro.

E haverá algo mais delicioso?

segunda-feira, outubro 17, 2011

Quote

“Um homem pode falhar muitas vezes, mas só é um falhado se começar a culpar outras pessoas.”


John Burroughs

terça-feira, outubro 04, 2011

Life

A vida é algo de belo que nos é atribuído em formato de bênção. Desde o momento em que vimos ao Mundo, temos pela frente um inumerável leque de opções para mudar as nossas vidas, a dos outros e quem sabe o pequeno ponto no Universo a que chamamos Terra.
Saber aproveitar a vida reside apenas em manter a mais recta conduta, respeitando-nos e aos outros nas nossas decisões, vendo a felicidade como um caminho alcançável , se bem que com muito trabalho e amor.
Virar as costas a estes dois pontos tão fulcrais conduz invariavelmente a uma presença triste, monótona e inglória para a nossa alma, o que por sua vez se traduz numa peculiarmente enfadonha forma de viver.
Lembrem-se que apenas temos uma oportunidade, por isso vivam-na da forma mais positiva possível.

No culminar de tudo, se é que existe um flashback de memórias, dormirão o eterno sono com um rasgado sorriso nos lábios.

domingo, outubro 02, 2011

So true...

“Everybody is a genius. But if you judge a fish by its ability to climb a tree, it will live its whole life believing that it is stupid.”
― Albert Einstein

quinta-feira, setembro 22, 2011

Mistérios

É curioso ligar a televisão e ver um programa interessante sobre cosmologia (certamente uma das minhas áreas preferidas) falado em inglês (por um português) num dos mais assistidos canais de documentários das televisões por cabo. Curiosamente, este português nasceu na mesma cidade onde efectuei os meus estudos académicos (Évora) e, apesar das diferentes aptidões e escolhas académicas, ele encontra-se actualmente a trabalhar em Inglaterra, país onde também eu gostava de trabalhar.

Será que ainda para lá vou trabalhar?

domingo, setembro 11, 2011

sábado, agosto 20, 2011

É assim a vidinha...

Aos olhos de tamanha gente,
Por preconceito ou não,
Por mais que te esforces,
Pouco ou nenhum valor te dão...

Saúde!

sábado, maio 14, 2011

Lua

Faz tanto tempo que não te olho com olhos de ver...
Perco-me na imensidão deste mundo, e nada anseio ter.
No vazio do espaço, és luz e prazenteira companhia,
Reluzente e esbelta de noite, sempre delicada e escondida de dia.

Faz tanto tempo que não te olho com olhos de querer...
Nos mil raios nocturnos chorar, rir, me perder.
Quantas noites da minha humilde vida dediquei a tua devoção,
Por conforto, simpatia, ou por simples e profunda meditação.

Faz tanto tempo que não te olho com olhos de loucura...
Em alegria, tristeza ou em busca de um momento de ternura.
Olhar para ti, nesta deliciosa noite, de certo modo me apoquenta,
Sinto-me o eterno lutador, a quem as força se esgotaram e já não tenta.

Faz tanto tempo que não te olho com olhos de amar...
Não te sentir entristece-me, não me apetece mais lutar.
Sempre estiveste lá por mim e no fundo nunca te dei razão,
A tua força esteve sempre comigo, entrincheirada num cantinho do meu coração.

sábado, abril 30, 2011

Divagando...

- Uma pessoa dedicar-se a algo desesperadamente é o maior erro que pode existir. É basicamente o mesmo que não sentir dor e passar o dia inteiro a cravar-se de pregos... sempre com a esperança de sentir.

- A vida tem detalhes assombrosos. Um deles prende-se com o facto de todos vivermos basicamente o mesmo. Aquando da sua morte, uma pessoa calma e uma que passa a vida a correr apresentam uma experiência de vida (final) aproximadamente igual... A única diferença é que a pessoa que leva a sua vida com calma foi adquirindo a experiência num maior período de tempo.

- O nosso maior medo prende-se exactamente com o nosso maior desejo. E o curioso é que vamos passar o resto da nossa vida a por-lhe defeitos porque não temos a coragem necessária para o atingir.

segunda-feira, abril 25, 2011

A Liberdade

A Liberdade Guiando o Povo, de Delacroix, uma personificação da liberdade que, antigamente, era vista como resultado de batalhas e de imposição de vontades e justiças.
 
Liberdade, em filosofia, designa de uma maneira negativa, a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano. De maneira positiva, liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários.

Não se trata de um conceito abstrato. É necessário observar que filósofos como Sartre e Schopenhauer buscam, em seus escritos, atribuir esta qualidade ao ser humano livre. Não se trata de uma separação entre a liberdade e o homem, mas sim de uma sinergia entre ambos para a auto-afirmação do Ego e sua existência. E na equação entre Liberdade e Vontade, observa-se que o querer ser livre torna-se a força-motriz e, paradoxalmente, o instrumento para a liberação do homem.

terça-feira, abril 12, 2011

Mais tempo

Não necessito de mais tempo... porque o que tenho me chega bem.
Necessito é de energia e força de vontade
Para explorar o ror de tempo que o tempo tem.

Se em certas manhãs ele corre desenfreado,
Tal gazela assim não se parece,
Quando noutros momentos se apresenta parado,
E os mais acelerados maltrata, enlouquece.

Hoje é um desses terríveis dias,
Em que vinte minutos me parecem uma hora,
Amanhã estará tudo do avesso,
E tudo o que é bom passa sem demora.

sábado, março 26, 2011

Short Story - Capsules (hipotéticos excertos de...)

 "...e sou confrontado frequentemente com a rubrica "Filmes da infância" em conversas de amigos. Faço um esforço por acompanhar a ideia, não sendo de todo leigo em termos de filmo-grafia infantil dos anos 60... 70... 80. Conheço os títulos e a ideia central, mas desconheço totalmente as voltas todas que os seus criadores decidiram meter pelo meio. Em boa verdade, consigo manter a conversa em circulação desde que suficientemente sucinta e superficial, saltando de filme para filme à cadência constante do melhor zapping. Assusta-me porem o facto de, por vezes, ficar-se alguns minutos a aprofundar uma longa metragem... com todos os seus pormenores, cores e falas. Aí sinto-me de fora e quando confrontado com a pergunta "Então mas tu nunca viste este filme?" não me resta nada mais do que um redondo e honesto "Não!"...

...chegam a dizer que nunca tive infância....

...a minha vida simplesmente não o permitiu. Ser enclausurado dentro de cápsulas, amarrado até à quinta casa e ver o teu cérebro ligado a máquinas que tentam abrir caminho até à origem da imaginação... não é propriamente um filme tão bonito e meigo quanto o Bambi. Sou uma daquelas criaturas bizarras que ocupam os recantos obscuros do mundo, aquelas mesmas criaturas que todos sabemos que existem mas que ninguém tem a coragem para admitir...

...têm os olhos trocados com tanta mentira...

...vivo entre humanos, fui criado por humanos, fui explorado por humanos... mas agora estou escondido. haha! Desde que consumei a minha fuga que a paz tem reinado na minha mente. Encontrei amigos... esses mesmos amigos que me acusam de não ter tido infância... mas são bons amigos. Simplesmente desconhecem que nem todos têm uma vida pacata durante o seu crescimento... que nem todos puderam tocar as flores ou brincar com as aranhas e as osgas... que todos os arrepios de alegria que percorriam o meu corpo eram gerados por eléctrodos, quando mos retiravam no final de mais um dia de exploração...

...não lhes dei nada. A sua busca, ao final de tantos anos foi infrutífera! haha! Sim, enquanto muitos brincavam com bonecas e carrinhos, uns poucos combatiam arduamente para impedir a queda do império...

...saudades. Não me ofendo com os amigos de hoje. Aliás, estimo a sua simplicidade e inocência. É giro falar de imaginação como um dos seus guardiões... sem eles se aperceberem da sua presença. E curiosamente, esses mesmos amigos que me acusam de não ter infância são os mesmos que sem saber abrem as suas portas a todos os refugiados das minhas batalhas de criança. Silenciosamente, Trolls, Elfos, Duendes, Dragões, alguns Anões carrancudos e muitos outros alojam-se nas suas mentes... prosperando... dando azo à sobrevivência de toda uma nação. E quem sabe daqui a uns anos, os filhos de todos estes refugiados não transitem para as mentes da descendência dos meus amigos...

...que cumpri parte da minha missão...

...se não tive infância? Tive... mas tive-a de um modo especial, para que os vossos filhos também pudessem desfrutar dela!"

quinta-feira, março 03, 2011

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Snakes and Ladders

Faz-se isto, faz-se aquilo... umas coisas boas, outras decididamente desacertadas. Conta-se, esconde-se... mas eventualmente tudo se descobre, e sofremos ao pensar que valia mais não esconder. Doí porque sim, mas também doí porque não e voltamos à velha questão de ser preso por ter e por não ter cão.

São as duas faces da mesma moeda, que atirada ao ar num dado momento, acabam sempre por conduzir ao mesmo destino. E independentemente de nada havermos feito pela moral da sociedade, cometemos um dos seus maiores pecados ao encobrir o vazio... o problema que nunca lá esteve... aquelas dezenas de milhar de sinapses que criaram o caos onde este nem sequer tinha espaço para existir.

Se cada passo dado em direcção à confiança e à aceitação pode demorar uma eternidade, cada parvalheira faz-nos perder anos de dedicação, esforço e envolvimento. Em certos aspectos, apesar de muito geral, a vida faz-me lembrar aquele jogo com o nome "Snakes and Laders"... em que cada escada que apanhamos nos faz avançar 4 a 5 casas no tabuleiro de jogo, ao contrário das cobras que nos atiram umas boas 15 casas para trás. O mais frustrante deste jogo, e de certos aspectos da vida, é que mesmo no final do jogo, exactamente uma casa antes de chegarmos ao nosso destino, glória, vitória, culminar de toda uma penosa caminhada, temos a maior cobra de todas... aquela que nos pode colocar novamente na casa de partida! Ultrapassar ou não essa casa depende de um lançamento de dados que não aceita excessos e em que geralmente as probabilidades estão monstruosamente contra nós.
 
Saber chegar a bom porto requer grande empenho... e primordialmente correcção. Saber atingir a casa 60 é não dar motivos ao dado da vida para rolar mais do que o necessário, para não cairmos de tanto balanço... nem rolar pouco, deixando-nos estáticos num mundo tão dinâmico, à mercê da cobra que bem conhece o caminho para a casa de valor 0. Saber ganhar é ter as ferramentas, é ter a matéria prima, e com uma rudimentar pedra, construir um majestoso palácio. Saber viver, é aceitar que o castelo é de simples pedra.

E nada mais.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Imogen Heap - Canvas



Canvas

Slow hard
Dog wait
Down love
Black canvas
Revolve within
You understand.

Fragile
Earth where
Cracks in the temperature
Keep it cool
To give, you understand
Keep it cool
To give, you understand

Slow hard
Dog wait
Down love
Black canvas
Revolve within
You understand.

Fragile
Earth where
Cracks in the temperature
Keep it cool,
To give, you understand

'Cuz I just can't find the strength to pull you up
And keep you taut
No I just can't find the strength to hold you up
And keep you taut

Hijacked
Lost track
Light fades another day left
Long shadows lure you in.

The more you lose the less you see,
So close your eyes and start to breathe,
Oh you said yourself, this wasn't easy.

Oh you said yourself, this wasn't easy.

Oh I just can't find the strength to pull you up
And keep you taut.
No I, just can't find the strength to hold you up
And keep you taut.

Woah woah woah woah woah
Woah woah woah woah woah
Woah Waoh woah woah woah Woah
Da da da
Woah woah woah woah woah
Woah woah woah woah woah
Woah woah woah waoh waoh woah
Dada da da

'Cuz I just can't find the strength.
To Keep you taut.


Espero que gostem desta musica tanto quanto eu... É certo que haverá muito boa gente que já conhece Imogen Heap à bastante tempo, mas para mim, estrearam-se esta semana. E é delicioso.

Bons Sons!

segunda-feira, janeiro 31, 2011

River...


Tudo tem o seu término. Faz parte da vida chegar a bom porto, mesmo que cedo... mas chegar. Esse é o objectivo base da vida! Não é o dinheiro, ou as propriedades ou até mesmo a quantidade de pessoas em que mandamos... é a alegria do caminho que nos leva ao final da nossa vida. Que se lixe o material, que se lixe a mesquinhez... Porque no rio que é o nosso inicio de vida, e agora no delta que é a nossa adolescência, maturidade e velhice, repleto de troços que reflectem as nossas escolhas, eu navego em barca simples. Viajo vagaroso mas faço as minhas escolhas. Remo para um lado ou para outro mas nunca contra a corrente. Por vezes balouço e quase encalho nos obstáculos da vida... mas continuo sereno. Não me apresso porque a vida tem o seu tempo certo, e o seu mecanismo jamais deu a hora errada. Deleito-me com a paisagem, com todas as possíveis escolhas que não sigo. Não me arrependo das minhas escolhas e sei que quando a minha vida terminar, quando o barco que é o meu corpo atingir o vasto oceano, dando por terminada toda a minha jornada, olharei para trás nos últimos momentos e deliciar-me-ei com todo o meu trajecto... e que viagem eu fiz!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Boost!

Já não me lembro da ultima vez em que me embrenhei com vontade nas palavras. Não que tenha feito qualquer tipo de voto de castidade escrita... nem de todo me arreliei com as mesmas. Simplesmente não tive o discernimento de olhar para uma folha vazia e criar algo. Creio que é assim para toda a gente mas custa ter blocos em branco e não visualizar quais os caracteres que melhor comporão esta ou aquela poesia... é ter os blocos e não saber construir pirâmides!

Vá lá que, com algum esforço, lá se vão desenrolando estas linhas ténues e sensaboronas. Lá vai saindo uma ou outra coisa acertada... ou não. Como tudo na vida, há momentos cheios de alegria e criatividade, outros mais desinteressantes e de verdadeiro tédio mental.

Espero que as rodas dentadas contidas na minha caixa craniana tenham o óleo necessário para voltarem a rodar. É que já sinto saudades de me espantar com o que este cérebro recitava. Não sou narcisista... simplesmente acho que uma ou outra coisa realmente tem valor.

Cumprimentos,

MRC

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Feliz Natal, Prospero Ano Novo

Caros leitores,

Serve o presente post para deixar os meus sinceros votos de um excelente Natal, cheio de prendinhas no sapatinho e de uma óptima entrada para o ano que se aproxima.

Cumprimentos

Mário Rui Castro

segunda-feira, dezembro 06, 2010

E que tal adoptar um animal neste Natal?



A mim deu-me vontade de adoptar um companheiro para a vida...

Sim... e como alguém dizia: "Não são descartáveis!"

Quote...

"O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor."

Madre Teresa de Calcutá

domingo, novembro 28, 2010

Adivinha...

Ninguém dá pela sua passada,
Não se sente nem se revela,
Não há quem bloqueie a sua estrada,
Mas a vivência a ele apela..

Corre rápido mas não o contam,
Voa, nada e no espaço viaja,
Apenas pequenas fracções o montam,
Não é criatura nem se acha.

Cinco podem parecer dez,
Se no caso nada te apetecer,
Mil tornam-se cem por sua vez,
Se no bom o quiseres ter.

Quem é ele?

sexta-feira, novembro 19, 2010

N-Joy



Some days, feels my soul has left my body

Feel I’m floating high above me
Like I’m looking down upon me

Start sinking, everytime I get to thinking
It’s easier to keep on moving
Never stop to let the truth in


Sometimes I feel like it’s all been done
Sometimes I feel like I’m the only one
Sometimes I wanna change everything I’ve ever done
Too tired to fight and yet too scared to run

And if I stop for a minute
I think about things I really don’t wanna know
And I’m the first to admit it
Without you I’m a liner stranded in an ice floe

I feel like I’m a thief who has no faith
Maybe more than by the grade
Of the drugs you took that day

Sinking in the pain he’s been inflicting
Yet he’s feeling like the victim
Just a horoscope’s to blame

Sometimes I feel like a little lost child
Sometimes I feel like the chosen one
Sometimes I wanna shout out ’til everything goes quiet
Sometimes I wonder why I was ever born

And if I stop for a minute
I think about things really I don’t wanna know
And I’m the first to admit it
Without you I’m child and so wherever you go
I will follow

(rap)
One… yeah…
And baby you are just beautiful from crown to your cuticles
You held down my two sons, you never frown when duty calls
You know me, I gave you more than you can handle
But you still keep a handle on it, even when I take something beautiful and vandal on it
No more females? Well how come my emails got notes on a scandal
It’s like Eve with the apple,
A priest in the chapel
Overcome by the devil’s tackle
I’m still shackling the bad til I know
I’m such a hassle every time I let my thoughts go
I get baffled so I hardly pause
I just crossed seas with these gnarly broads
Cos it hurts me just to see what I finally lost
So I guess I’m just a fiend
Consumed by the scene
The stage and the screens
Where it’s just me and Keane

And if I stop for a minute
I think about things I really don’t wanna know
So I guess I’m just a fiend
Consumed by the scene
And I’m the first to admit it
Without you I’m a liner stranded in an ice floe
The stage and the screens
Where it’s just me and Keane

quinta-feira, outubro 28, 2010

Que saudades...



Longe vão os anos em que este rapazinho fazia um som Jazzy Q.B.
Desses tempos, esta é certamente uma das sua melhores musicas.

N-Joy!

segunda-feira, outubro 18, 2010

Tempo

O tempo passa rápido demais para quem se preocupa demasiado.
O tempo flui depressa demais para quem acha que tem tempo para tudo.
O tempo escoa-se rápido demais para quem quer deixar algo para amanhã.
O tempo... bem, o tempo faz a sua vida enquanto nós vamos ficando para trás.

De facto,a única forma que consegui arranjar para fazer parar o tempo foi num cronometro. E quando olhei o relógio de pulso verifiquei que afinal apenas parei uma parcela de tempo... o daquele cronometro. Eu estava 15 segundos mais velho, tal como todas as coisas que me rodeavam. E nesses 15 segundos que fiquei parado contemplando a fictícia paragem do tempo, milhares de coisas aconteceram no mundo.

Não mais deixarei nada por fazer, por dizer...
Não mais permanecerei parado sem nada fazer...
Não mais olharei os projectos com desleixo...
Afinal, agora também é tempo!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Fez ontem outro porradão de anos...

Não queria tornar-me repetitivo no que diz respeito aos títulos das postagens... mas que se lixe. A verdade é que fez ontem uma porrada de anos que muito boa gente nasceu... outra morreu e enfim... aconteceram coisas na história da Humanidade que acho que não devem ficar esquecidas na Wikipédia.

Antes do mais, em 1982, eu nasci... vim ao mundo, como se costuma dizer. Neste dia 15 de Setembro, abri pela primeira vez os olhos e pude apreciar o Mundo tal como ele é.
Em 1765, nasceu o Bocage e em 1890 a Agatha Christie. O Oliver Stone e o Tommy Lee Jones apareceram em 1946... e até o Príncipe Harry de Gales escolheu o dia 15 de Setembro de 1984 para botar a cabeça de fora.

Digam lá que não é um diz altamente espectacular?

Cumprimentos,

segunda-feira, setembro 13, 2010

Para pensar...

"Como a abelha que recolhe o mel de diferentes flores, assim o sábio aceita a essência das diferentes escrituras e vê somente o bom em todas as religiões."

Srimad Bhagavatam

quarta-feira, agosto 25, 2010

The hive

Acho curioso quando olhamos para um carreiro de formigas com aquele desprezo de quem vai ali num instante buscar o belo do pó para lhes dar o "arroz doce". Gosto de imaginar uma entidade maior, a olhar para as autoestradas do nosso planeta e a pensar no mesmo... "Ah, que vontade de dar cabo destes malandros!".

Reflectindo um pouco sobre este assunto, chega-se à conclusão que as semelhanças entre Homem e Formiga são deveras abismais. Ambos vivemos agrupados, já que a união faz a força. Ambos modificamos o nosso meio ambiente. Ambos esgotamos os nossos recursos para manter a sociedade viva. Ambos tememos as intempéries. Ambos seguimos regimes estratificados e obedecemos a um líder.

Creio que há mais uma ou outra coisa que poderia ser adida a esta lista comum entre espécies tão diferentes...

No entanto e ao contrário das "pequenas", o Homem busca maioritariamente o proveito próprio, não se preocupa com alheio, não luta pelo bem da comunidade...

Enfim, ainda temos muito para aprender com aqueles que nos rodeiam, ou que eventualmente perfuram as nossas paredes.

Cumprimentos

terça-feira, agosto 03, 2010

Acreditar...

Tentam-nos convencer que a erva é sempre mais verde do lado de lá da cerca...
Tentam-nos convencer que a vida é linear, imutável e controlada pelo destino...
Tentam-nos convencer que o mundo está destinado a ser destruído pelo ser humano...
Tentam-nos convencer que o Homem é uma simples marioneta nas mãos de um Deus aparentemente tirano...

E muitos acreditam nisso!

Mas a erva pode ser mais verde deste lado se nós a estimarmos...
A vida pode dar milhares de voltas, podemos ser aquilo em que acreditamos e a única coisa realmente destinada é à morte...
O ser humano tem a capacidade de destruir mas também de dar vida a todas as coisas...
E que Deus... Deus está dentro de cada um de nós... Basta espreitar com cuidado...

Isso, poucos ou nenhuns acreditam!

sábado, julho 03, 2010

segunda-feira, junho 14, 2010

Plastomorfismo (se é que existe)

Todos somos feitos de plasticina...
Aliás, tudo me leva a crer que a plasticina foi criada perante a inconstância humana, perante a capacidade do Homem para se moldar ao seu futuro.
Nascemos como uma massa disforme, alterável... que sofre toda uma modelação aquando da nossa interacção com o mundo exterior.
Assim nos tornamos em algo mais elaborado, trabalhado, concreto, enquanto percorremos as estradas da nossa simples e curta existência.
No entanto, e muitas vezes revemos este mesmo episódio nas nossas vidas, um pedaço de plasticina apenas ganha algum sentido quando lhe enfiamos um valente murro, quando o deforma-mos para ganhar um novo sentido... uma nova cara... um novo carácter.
E olhando para aquela massa, que em segundos se torna aparentemente disforme, vemos todo um sentido poético para a vida; em que o belo, feio se torna, e o grotesco se torna a luz do dia a dia.
Heis um dos caminhos para a iluminação...

segunda-feira, maio 24, 2010

Pátria

Que pátria esta errante, que tristemente caminha para o futuro,
Da perfeição foste perdendo tudo, quão mal esculpido diamante,
Sois obra de arte pouco amada, desmembrada, deambulante.

Um povo grande e maduro, que infantilmente se comporta,
Em cada passagem segura, ergue-se agora um imenso muro,
Se um dia fostes grande, tombada estais agora... quase morta.

De costa voltadas a quem te ama, buscais afecto e atenção,
Por tortuosos caminhos penais, tamanha a altura desta lama,
Sois arrastada para o abismo por quem quererdes que vos estende a mão.

Lembrai-vos do vosso belo passado minha pátria errante,
No que homens comuns fizeram, das nossas lutas travadas com agrado,
E olhai novamente para todos nós, como um povo por ti amado.

Eis mais um belo dia, como sol no alto brilha,
Dos pássaros lá fora, ressoa outra alegre melodia,
Tudo no mundo muda, mas já nada é como ontem via.

quinta-feira, maio 13, 2010

Reflexão #1

Misteriosa é a natureza humana,
Com tamanhos trunfos mas em que tão pouco é revelado.
Cumpre a cada um de nós descobri-la,
Viajar pelos seus encantos, conhecendo-nos...
Abrindo as portas da magia e dos tempos idos,
Transformando-nos em exemplos reais...
Do que a natureza ainda tem para mostrar.

sexta-feira, abril 09, 2010

Feel the breeze...

Hoje parei uns segundos para admirar o nosso planeta. É simplesmente fabuloso verificar toda a engenharia envolvida na elaboração desta pequena pérola do Universo.
Hoje parei para sentir a brisa no rosto... para receber de braços abertos o aconchego do sol.
Hoje simplesmente parei... e amei o que senti.

domingo, março 07, 2010

Dreaming...

Ainda sonâmbulo me levanto,
Carrego no olhar o peso do cansaço,
No espelho perscruto-me no entretanto,
Automatizado, nem sei bem o que faço.

Água na cara, roupa no corpo,
Lentamente recupero da sonolência,
Ainda cambaleio... um pouco torto,
Luto para não perder a decência.

O dia passa sem que dele dê conta,
Corre célere para minha agonia,
Um desejo e qualquer coisa fica pronta,
A felicidade mistura-se com a melancolia.

O tempo para nada é válido,
As leis da Física dobram e curvam,
Se quiser saltar para um lugar cálido,
Viajo a velocidades que o mundo turvam.

A mente eventualmente clama por sossego,
O corpo implora por descansar,
Enrolo-me nas mantas, tal morcego,
E finalmente me preparo para acordar.

domingo, fevereiro 21, 2010

Look down!

Novamente, a nossa esfera galáctica demonstrou, com toda a sua mestria, o quanto é dona de si própria. Com um golpe cruel, feriu brutalmente a mais prestigiada região autónoma portuguesa. Lamentavelmente, houve mortes, feridos, desalojados, em grande parte por a ganância do Homem se sobrepor à razão. Antes de olharmos para o céu em busca de ajuda, talvez fosse bom olhar para a terra e tentar compreende-la. Porque como qualquer senhora, tem os seus caprichos... e aprecia quando é estimada.

sábado, fevereiro 06, 2010

27º Capitulo - Fogo de cobertura

“AGORA!” grita Abdul com a sua gutural voz. Ouvem-se arcos a retesar uns atrás dos outros. Lá em baixo, um cavaleiro vai-se desviando agilmente por entre a chuva de flechas. O mesmo não poderei dizer dos que dele se acercam. O brilho do vidro negro à Lua é no mínimo desconcertante… é abafado… mórbido. “Oh sonhador, vê se dás o sinal!” exclama Tulfah enquanto aguarda pacientemente que Akmer esteja suficientemente perto para permitir passagem para a cidade. Lembro-me de grandes batalhas, combates ferozes entre os guerreiros do profeta e os infiéis. Tive o prazer de os presenciar e de os escrever para que possam ser relembrados… mas nunca estive na defensiva. Nunca tive de recuar e temer pela minha própria vida. No ar já não se ouvem o som característico das cordas a largar morte pelos campos… “Onde é que ele se meteu?” murmuram os arqueiros. De volta à realidade, dou com os arqueiros parados, à procura de algo nos terrenos abaixo. “Que se passa?” pergunto como se tivesse acabado de chegar. “Akmer foi cercado… depois desapareceu!” responde-me ansiosamente Teht. “Mas eles apanharam-no?” “Não, simplesmente… puf!”. Abdul dá uma palmada nas costas de Teht “Fica atento, Akmer não pode cair… todos são fundamentais agora!”. Tal como eu, Teht parece-me perdido, mas assente e volta para a muralha. Esperamos… e o mesmo faz o nosso inimigo. Não podemos disparar flechas com o risco de acertar no nosso companheiro. Consigo ver que há algo naquelas criaturas negras que ficou perturbado com a chegada de Akmer. Há algo que elas sabem e nós não, algo que elas temem ao ponto de se sacrificar para não o deixar passar. E parece-me que o meu amuleto também o sente… parece que está cada vez mais quente… parece que me quer dizer… “Tulfah, abre a porta rápido!” grito empoleirado na muralha. Tulfah olha-me com um certo desconforto. “Faz o que te digo! Abre a porta!”. Os soldados levantam as trancas e abre-se um espaço pouco maior que a largura de um cavalo. Como que por um sopro divino, os soldados que protegem a porta são atirados para o lado. “Podes fechar Tulfah!” volto a gritar. Ainda recompondo-se, os soldados apressam-se a fechar a porta. “E o Akmer?” pergunta Tulfah aparentando uma enorme confusão. “Não te preocupes Tulfah, já entrou quem tinha a entrar” digo, soltando um ligeiro sorriso. “Venham para as muralhas!”. Abdul, que se havia apercebido de toda a confusão gerada à porta, dá nova ordem a Teht aos arqueiros. Os soldados inimigos que ainda rondam o descampado à procura de Akmer começam a tombar sob as nossas flechas. No topo das colinas, a desordem inimiga é bem visível… e pouco duradoura! Parece que começou o assalto…

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Aparência

Vivemos num mundo aparente, onde as pessoas se movem pela aparência.
Exceptuando alguns elementos da sociedade, todos querem ser aquilo que não são, lutam por coisas que não necessitam, buscam tesouros que não lhes pertencem. Hoje em dia, quando se olha para alguém, vê-se apenas uma casca oca, sem essência que a preencha, essência essa que se perdeu algures na infância, quando nos disseram que deviamos ser algo aos olhos de alguém, e não aos nossos olhos. Crescemos com a ideia que somos o que queremos, e apenas quando chegamos a mais velhos é que batemos na parede da realidade... percebemos que a felicidade seguiu um outro caminho que não o nosso, o caminho da inocência, o caminho da verdade. De que nos vale ser algo aos olhos de alguém, se não reconhecemos o rosto que se espelha quando nos debruçamos sobre um lago? Qual o objectivo de não sermos justos com nós próprios? Que piada tem viver num eterno Carnaval veneziano?
Prezo aqueles que me falam dos seus problemas abertamente. Prezo os que não têm maldade no coração. Prezo os que se preocupam em ajudar o próximo ao invés de apenas se ajudarem a si. Prezo aqueles que não se escondem por detrás de mascaras, que são "um" sempre. Porque esses mesmos que eu prezo, são a luz que ilumina o caminho que eu quero seguir... demonstrando a rara beleza que ainda se pode encontrar em alguns seres humanos.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

1º Post de MMX

Sei que a edição de um post de ano novo deveria ficar situada entre a meia noite do dia que o começa e as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos desse mesmo dia, mas cada um tem as suas limitações temporais, algo que o meu atraso certamente acusa. Não me encontro muito inspirado neste novo ano, talvez por falta de treino ou por simplesmente não ter dedicado o devido tempo às palavras que ecoam na pequena caixa. Compreendo que não seja aceitável uma tamanha falta de empenho numa área que me é deveras familiar, mas todas as coisas têm as suas razões, apesar de por vezes não conseguirmos ver o plano maior.

Apesar da falta de originalidade, tenho andado a reler os meus blogs numa tentativa de compreender a evolução natural da minha mente. Numa dessas incursões nostálgicas, deparei-me com algum trabalho que me pareceu desadequado ao blog em que se encontra. Assim, decidi reeditar essas mesmas palavras neste blog, certamente o mais acertado local onde elas devem repousar. Os três pensamentos que se seguem foram publicados no dia XXVI de Dezembro de MMVI num blog por alguns de vós conhecido: Shurikata na Linha.

Desejos de boa leitura e reflexão.

#1

Deprimente é o mundo em que vivemos... fome, miséria, destruição. E quem são os culpados? Gente estúpida!!! Pessoas que não sabem utilizar aquilo que têm senão para o mal. O cromo do Bush, Os extremistas, os corruptos, os ladrões, os invejosos. Será assim tão difícil viver em harmonia com o próximo? Não nos cabe a nós o direito a ser felizes? Tanta coisa que vejo… tanto cinismo e traição… tanto sofrimento e silêncio. Valerá isso, uma vida? Não seremos nós dignos do reino dos céus?

#2

Os dons são coisas maravilhosas. São o continuar de uma vida… uma transcendência, mas também uma maldição. Se há motivo para o Homem não ter vida eterna, é certamente o de não tolerarmos a morte dos que nos são próximos. A não compreensão do seu desaparecimento seria motivo de desejo do estado que procede a vida. Mas e se o dom não for esse? E se fossemos capazes de ler todas as almas?

#3

Apenas desejo a felicidade… nada mais! Não quero dinheiro, terras… apenas o sorriso até ao fim da minha vida. E a alegria de saber que a encontrei!

Saudações,

Shuri Kata

quinta-feira, dezembro 31, 2009

New Year

Caros leitores,

Sei que não desejei as típicas boas festas, mas para que conste, não as dei a ninguém. Afinal, quantas vezes ouviram essa expressão nos últimos dias? Não de devem lembrar... Mas certamente se lembram de quem não a deu. ;)

De qualquer das formas, gostaria de vos desejar um óptimo ano novo, repleto de coisas boas, saúde, trabalho e sorrisos. Pelo menos é o que desejo para mim.

Boas entradas!

Shuri Kata

sábado, dezembro 19, 2009

26º Capitulo - Regresso de Akmer

O tempo conta-se pelo bater dos corações e pelo suspirar dos soldados. A ansiedade enervante em que nos encontramos vai-nos corrompendo o discernimento. A vista torna-se turva, ouvimos o que não existe… e chegamos a julgar que a ideia de nos entregarmos ao inimigo não é assim tão má. “Que raio estou eu a pensar?” Sou sacudido pelo grito de um dos soldados: “Movimentações a Norte!”. Corremos a muralha, tentando compreender o que estava a fazer aquele miserável amontoado de vidro negro. “TEHT!” Gritei. Teht apareceu como se sempre ali estivesse. “Ouvi o grito da torre… que se passa?”. “Diz-nos tu, oh arqueiro!” resmungou Tulfah. Teht inclinou-se na muralha, como que procurando eliminar interferências da luz dos archotes. “Meus senhores, parece-me que se aproxima alguém pela retaguarda do inimigo.”. “Em que números? Temos apoio?” Pergunta ansiosamente Abdul. “Não temos apoio… é Akmer!” exclama Teht. Creio que em ambos os lados destas muralhas, a confusão é total. “Que raio faz este batedor aqui a esta hora da noite? Uma gota de água no deserto… vai ser massacrado.” Mil ideias começam a fluir na minha cabeça. Sinto o amuleto a aquecer… o que quer que tenha de ser feito, tem de ser feito já! “Teht, consegues dar fogo de cobertura?”. “Vai ser difícil, mas posso tentar…” responde Teht olhando-me profundamente “… mas são muitos.”. Não necessitei de lhe dizer mais nada para setas certeiras começarem a voar das nossas muralhas. Um miúdo… provavelmente o melhor arqueiro que havia conhecido! Enquanto isso, Abdul convocara um grupo de arqueiros para o apoio a Teht. “Assim que os vossos arcos permitirem, quero ver vidro a brilhar à luz desta lua.” ordena Abdul. Tulfah descera para preparar a abertura da porta principal, porta de entrada para Akmer. Olho o horizonte. O tempo deixou de se medir… tudo parece acontecer devagar. Consigo ver cada expressão, sentir cada pensamento, ouvir cada berro dado pelos homens que me acompanham. Alá foi generoso ao permitir que os tenha conhecido. Olhando para o campo à minha frente, vejo Akmer galopando ferozmente o seu cavalo… aproveitando cada fresta nas linhas inimigas. A seu lado, pedaços de vidro estoiram contra cada seta de Teht. O arco longo de Teht confere-lhe um alcance invejável, comparado com os arcos curtos do resto dos arqueiros. “Mais uns metros e estará ao alcance… só mais uns metros!” penso em silêncio.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

25º Capitulo - Preparativos

A noite vai alta. A Sul, a lua reflecte-se nas águas brandas do rio. Mais adiante, conseguimos ver o mar, o nosso único refúgio. Os nossos batedores voltaram com boas notícias; um grupo de pescadores trouxe embarcações e pelo menos uma parte dos residentes poderão deslizar pelas águas até uma aldeia próxima sem levantar muitas suspeitas. O caminho apresenta-se livre, mas de forma a evacuar eficientemente a cidade, os restantes deverão seguir a pé, junto à margem. Tulfah olha-me com ar de muitas dúvidas. “Acreditas mesmo que vai resultar?” pergunta-me. Também, que outras hipóteses teremos nós, tal língua de terra a preparar-se para ser esmagada por uma tormenta marítima. Nos fundos da muralha, uma pequena grade é retirada… a saída para os esgotos, para o rio e para a nossa liberdade. Um pequeno grupo de soldados vai reunindo as mulheres, crianças e idosos que não abandonaram a cidade nos dias antes ao cerco. Serão eles os transportados pelos barcos. Todos os homens capazes ficarão para trás para cobrir-lhes a retirada. Teht está nas muralhas, não vá algum soldado inimigo aproximar-se demasiado da nossa zona de fuga. Vou acordar Maria. Encontro-a sentada na cama, pensativa, com as adagas no colo. Olha-me como quem vai explodir em justificações, motivos, razões… mas não temos tempo para tal. Ele urge como a areia fina do deserto foge por entre os dedos da mais forte mão. Apesar da sua aparente revolta, concorda em partir nos barcos. Não a poderia deixar ficar num lugar condenado, com tantas coisas que ainda temos que preparar. Não tenho dúvidas que ela conseguirá defender-se no futuro, e por Alá, o futuro dela não é aqui. Despedimo-nos na praça principal, em frente à mesquita. Entre a silenciosa multidão, perco-a de vista. A vida deles está entregue… Parto com Tulfah e Abdul para as muralhas. Os milhares de soldados que havia visto na praça dias antes, afinal não chegam aos mil. Houve desertores, fugas, medo… quando a vida dos que nos estão perto está em risco, o coração faz-nos ver que não é pelo escudo ou pela lâmina da cimitarra que se terá paz. Assim, partiram. Na verdade, apenas nós sabemos disso. Para um qualquer soldado que se encontre no exterior da muralha, contam-nos aos milhares. Em todas as muralhas, foram acesas mais tochas para arqueiros… aqui e ali as lanças emergem acima das ameias… muito mais lanças do que o total de homens que temos, mas a ideia é mesmo essa. Entre a farsa e a ilusão, olhos atentos espreitam sobre as linhas inimigas, tentando compreender qualquer movimentação. Tudo parece correr bem e espero, por todos os meus antepassados, que assim continue. “Teatro do poeta… se nos safarmos desta, será uma boa história para contar aos meus netos.” murmura Abdul. Gracejamos o quanto nos é possível neste tenebroso momento…

quinta-feira, novembro 26, 2009

Walking on my shoes...


Apeteceu-me... Grande som e grande clip. Vale a pena mergulhar nele durante os seus 5 minutos.

Segue-se a letra:

I would tell you about the things
They put me through.
The pain I've been subjected to.
But the Lord himself would blush.
The countless feasts laid at my feet,
Forbidden fruits for me to eat.
But I think your pulse would start to rush.

Now I'm not looking for absolution,
Forgiveness for the things I do.
But before you come to any conclusions -
Try walking in my shoes,
Try walking in my shoes.

You'll stumble in my footsteps,
Keep the same appointments I kept.
If you try walking in my shoes.
If you try walking in my shoes.

Morality would frown upon,
Decency look down upon.
The scapegoat fate's made of me.

But I promise now, my judge and jurors,
My intentions couldn't have been purer.
My case is easy to see.

I'm not looking for a clearer conscience,
Peace of mind after what I've been through.
And before we talk of any repentance -
Try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.

You'll stumble in my footsteps,
Keep the same appointments I kept.
If you try walking in my shoes.
If you try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.

Now I'm not looking for absolution,
Forgiveness for the things I do.
But before you come to any conclusions -
Try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.

You'll stumble in my footsteps,
Keep the same appointments I kept.
If you try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.
If you try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.

Enjoy.

Shuri Kata

quarta-feira, novembro 18, 2009

Dig me up...



Certamente uma das minhas musicas preferidas.

Um pedido de ajuda por parte daqueles que se perdem no seu próprio mundo...

We all have a weakness
But some of ours are easy to identify.
Look me in the eye and ask for forgiveness;
We'll make a pact to never speak that word again
Yes you are my friend.

We all have something that digs at us,
At least we dig each other
So when weakness turns my ego up
I know you'll count on the me from yesterday

If I turn into another
Dig me up from under what is covering
The better part of me
Sing this song
Remind me that we'll always have each other
When everything else is gone.

We all have a sickness
That cleverly attaches and multiplies
No matter how we try.

We all have someone that digs at us,
At least we dig each other
So when sickness turns my ego up
I know you'll act as a clever medicine.

If I turn into another
Dig me up from under what is covering
The better part of me.
Sing this song!
Remind me that we'll always have each other
When everything else is gone.

Oh each other....
When everything else is gone.

Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, ohh
oh, oh, oh, oh, oh, oh, ohhhh

If I turn into another
Dig me up from under what is covering
The better part of me.
Sing this song!
Remind me that we'll always have each other
When everything else is gone.

Oh each other....
When everything else is gone.
Oh each other....
When everything else is gone.

Shuri Kata

domingo, novembro 15, 2009

Sound Of Silence



Porque por vezes o silêncio é a nossa maior arma,
Porque é nele que muitas vezes nos perdemos,
Porque o usamos como refúgio nas nossas dores,
Porque é uma companheiro de momentos menos bons...

Porque está sempre lá... tal como aquele grande amigo que sempre nos acompanha.

Cumprimentos,

Shuri Kata

terça-feira, outubro 06, 2009

Efémeros...

No fundo, não passamos de efémeras criaturas que na sua escala temporal se prolongam em média por 75 anos... ou não. Olhamos para aquelas coisinhas voadoras e pensamos: "Coitadas... viver 24 horas apenas para perpetuar a espécie." Sim, e nós fazemos muito mais... ou não! Muitos de nós anda cá a ver passar navios... sem ter objectivos definidos, sem deixar uma marca positiva no planeta. Apenas nascem, crescem, eventualmente se multiplicam e definham até à morte.

-Gervásio Lameirinhas... "Ah, quem é esse?" "Sei lá!"...

E todos aqueles anos que esse senhor cá andou, de pouco ou nada serviram para evitar a sua queda no esquecimento. Não quero ser mais um que não deixa o seu nome na história. Quero fazer algo de positivo para a Humanidade. Para que um dia, no meu leito de morte, possa dizer: "Tudo o que a vista alcança é fruto do meu esforço... da minha paixão... da minha vida!"

E quando o meu nome constar nos compêndios de história, aí sim, deixei de ser efémero!

Vamos mudar isto tudo para melhor! É altura de imortalizar a nossa passagem na Terra!

Shuri Kata

domingo, setembro 13, 2009

Pulsating Earth

Não me quero prolongar na escrita...

Quero apenas convocar-vos para pararem 5 minutos no vosso local (mais próximo) favorito. Sentem-se, deitem-se, ponham-se à vontade... e nesses 5 minutos sejam UM com a natureza. Disfrutem da paisagem, do som, do toque das coisas. Porque esses momentos são cada vez mais raros e sinceramente fazem-nos tanta falta.

Estamos a perder o contacto com o nosso Planeta.

Façam o favor de sentir o pulsar da Mãe Natureza!

quinta-feira, setembro 03, 2009

#030909

Passamos a vida numa cápsula de reflexão,
Em busca de respostas escondidas pelo tempo.
E quando se trata de felicidade, pois então,
Muitas das vezes bloqueamos por desalento.

Mudamos de vida, hábitos... direcção,
Sem olharmos para trás, um só momento.
Basta-nos um divino momento de inspiração,
E tudo se engrena em pensamento.

Que vida a nossa, terrena e banal,
Quantos dias passaram e só agora aprendi,
O que me basta para ser feliz afinal,
É estares a meu lado... é ter-te aqui!

domingo, agosto 02, 2009

...

Viveremos eternamente distantes,
Sôfregos, buscando a doce alegria,
Dos sonhos, tão belos diamantes,
Sobra-me na pele, uma estranha alergia.

De feitios deveras diferentes,
Ultrapassámos obstáculos com bravura,
Porque olhais agora em volta... para as gentes,
Se é em mim que deveis focar vossa ternura?

Seremos breves mas imortais,
Se quiserdes vós tal distinção.
Caguemos de alto para os demais,
No nosso pequeno mundo de ilusão.

Tendes uma alma doce mas caprichosa,
Virais o mundo em busca do que vos pertence.
Sois carrancuda e simplesmente teimosa,
Quando a vossa vontade nada vence.

segunda-feira, julho 06, 2009

Quem...

Sinto-me escuro e por vezes arrepiante,
Vejo nos vossos olhos a efémera euforia!
Aquela gota de suor que vos escorre pelo rosto,
Não mais irá correr ao fim do dia.

Para muitos sou um eterno vigilante,
Amigos tenho apenas por breves momentos,
Prefiro o trabalho quando o sol está posto,
E assim sempre será até ao fim dos tempos.

Levo as vossas almas para o descanso,
Não tenho qualquer bandeira ou nação,
Dos vales às montanhas eu alcanço,
Basta simplesmente tocar-vos com a mão.

Quem sou eu afinal?

sábado, junho 20, 2009

Short Story - Paixão na Biblioteca

Era uma acalorada tarde de Verão. No ar, a única brisa, que se fazia sentir, era mais quente que o ar que expirava. Sentia os quarenta graus Celsius nos ombros como um escravo absorve cada chicoteada do seu amo. Aquando de mais uma investida por sombra, que no fundo me levava a percorrer todas as tascas e tasquinhas da cidade numa cambaleante indisposição, dei por mim às portas da biblioteca cá do sitio. Decidi entrar e deliciar-me com a modernidade e frescura proveniente das caixas brancas existentes por cima de algumas janelas. Creio que lhes chamam "Ar Condicionado", e diga-se de passagem que é uma coisa bem esgalhada. Encostei-me a uma janela e mirei o horizonte como que perscrutando por aquele inimigo que não se deixa ver... esperei. Limpei as gotas de suor que me desciam eminentemente pelo rosto enquanto a caixa branca vomitava frescura sobre a minha cabeça. Lá fora, silhuetas ténues dançavam à luz, criando a ilusão de coisas que realmente não estavam lá... ou estariam? Olhei o relógio e ponderei a permanência neste oásis de calma e frescura por mais uns momentos e porque não, aproveitar para por a leitura em dia. Afinal, não me lembrava da última vez que havia posto a vista sobre um livro. Já nem me lembrava do que continham... letras e imagens presumo, que para mim recordavam hieróglifos de tão distantes que agora estavam. Decidi mergulhar numa leitura reconciliante. Percorri vagarosamente os corredores da biblioteca em busca de algo que me saltasse à vista... não que os livros saltem, mas creio que compreendem o que quero dizer. Biologia, História, Geociências... cada secção, apesar de interessante, parecia menos acolhedora que a outra. Jornais? Nah... Diário da Republica? Nem pensar!

Percorria a parte das enciclopédias quando os nossos olhos se cruzaram pela primeira vez por entre o espaço entalado entre os livros e a estante de cima. Eu, taralhoco de calor em busca da iluminação lírica e ela, calma e serena a vasculhar os livros com a graciosidade de quem sabe onde encontrar tudo. Desviei o olhar por segundos... não a queria incomodar, mas a sua presença inquietava-me ao ponto de converter as minhas íris em magnetos que procuravam os elementos férricos do seu corpo. Ela era esguia mas de curvas acentuadas, tinha olhos negros como antracite sensualmente contrastantes com a palidez de uma pele que raramente partilhara o mesmo espaço com raios de sol. Deslizava elegantemente com as suas vestes de seda, percorrendo todos os livros com uma paz que parecia ser só dela. Olhou uma última vez para mim e desapareceu atrás do XII Volume da Enciclopédia Larousse. O meu relógio marcava as cinco horas da tarde e o sol rebelava com uma nuvem no distante céu. "Boa hora para ir para casa" pensei para comigo. Ao sair, vasculhei a biblioteca para ver se a encontrava... sabia que estava ali algures, mas simplesmente já não a conseguia ver.

No dia seguinte, decidi voltar à biblioteca. Não sentia a atracção pelos livros... era ela que me chamava para lá. Era manhã cedo e fui presenteado pelo aroma a jornais frescos assim que ultrapassei as portas giratórias. Procurei-a como um louco... secção a secção... no rés-do-chão e depois no primeiro andar. Cabisbaixo por não a ver em lado algum, decidi dar uma leitura pelas noticias do dia. Sempre achei muita fruta, de todas as pessoas que partilham o mesmo espaço com ela, apenas eu lhe ter chamado a atenção... Que burro ter perdido este tempo com sonhos totalmente irrealistas. Afinal, numa cidade com milhões de almas, qual a probabilidade de a tornar a ver? Mergulhei na crise económica e nos ensaios nucleares da Coreia do Norte e deixei o tempo passar. Aqui e ali, levantava a cabeça e batia os corredores na vã esperança de que o brilho dos seus olhos me guiasse como um farol. Ao meio-dia fui almoçar e entornei umas quantas garrafas de cerveja para o meu interior. Tornara a estar uma tarde desagradável com temperaturas extenuantes. Deambulei por umas quantas esplanadas e outros abrigos... analisando o conteúdo alcoólico de muitas outras garrafas de cerveja, enquanto procurava uma explicação plausível para uma tamanha pancada... uma paixão na biblioteca. Já tinha tido pancadas, é verdade... daquelas que nos roubam o pensamento e deixam-nos a ver um frame do mesmo filme durante horas e horas, tal moldura digital com erro de programação. O cedo virou tarde e o tarde virou noite... ligeiramente alcoolizado, decidi voltar para casa. Sentia amargura na boca, mas creio que foi dos pimentos que acompanharam a sardinha.

Manhã cedo, um novo dia e uma dor de cabeça de proporções homéricas percorria todos os lóbulos do meu cérebro. Aliás, creio que cérebro é uma descrição um tanto ou quanto megalómana para o aglomerado de células mirradas que se encontrava dentro da minha caixa encefálica nessa manhã. Vesti-me, tomei um forte café com a torrada da manhã e bebi meia garrafa de litro e meio de água só para revitalizar um pouco. Sentia-me grogue... do álcool e de curiosidade. Queria ver aquela criatura mais uma vez... só mais uma. Sentia-me um agarrado a uma qualquer droga. Tinha a necessidade de estar ao pé dela, mesmo que fosse apenas para me perder por uma fracção de segundo nos seus olhos. Odiava-me por ser mais forte do que eu, mas poderia dizer que de uma certa forma, nomeadamente em visitas a bibliotecas, ela já havia mudado a minha vida. Creio que me senti como Yuri Gagarine quando chegou ao espaço... grande e ao mesmo tempo pequeno. Corri para a biblioteca com determinação... o sangue dos Hunos corria-me pelas veias e apenas a visão dela, tamanha vitória, me poderia acalmar. Percorri os corredores tão tresloucadamente que eventualmente me perguntaram se poderia fazer menos barulho. De que me interessavam os exames de aferição... ou os exames nacionais. "Restrinjam-se à vossa vida insignificante, suas vis criaturas!" temo ter gritado a certa altura. Tremia... mas não era das caixas brancas estarem a debitar mais frescura do que o meu corpo poderia aguentar... não! Era nervos que me percorriam o corpo... sentia-me ressacado e desanimado por não a encontrar novamente. Respirei fundo. Aliás, não me lembro de ter inalado tanto ar em tão pouco tempo, durante toda a minha vida, e posteriormente a consequente libertação do mesmo, que diga-se de passagem que foi equitativamente grande.

Fechei os olhos e esperei por um sinal... um farol no pensamento que me guiasse até ela. Senti o ar... senti toda aquela amalgama de livros tornarem-se nada e vi-a finalmente. Lá estava ela, esplendorosa como no dia em que primeiramente a vi. Abri os olhos e dirigi-me para a secção de desporto. Com uma paz só dela, percorria os livros até achar um que lhe chamasse a atenção e perdia-se nele por uns momentos. Depois, emergia das suas páginas e voltava a bater os livros todos à procura de mais um ou outro artigo que lhe interessasse. Olhei-a durante horas... sorrateiramente, ora fingindo que estava a escolher um livro, ora lendo uma revista na diagonal. Por vezes desaparecia do meu campo de visão e via-me obrigado a mudar de mesa, escolher outro livro ou simplesmente passar por ela para a secção seguinte, tentando providenciar um eventual encontro.

Seguiram-se dias nisto... acabei por conhecer os seus hábitos. Todos os dias voltava e cada vez era mais fácil saber onde ela iria estar... qual o corredor... qual a secção... quais os livros que iria percorrer até parar, embrenhar-se um pouco e seguir caminho. Descobri que a sua vida se resumia à biblioteca. No fundo, era uma autodidacta com requintados gostos. Preferia os livros antigos aos novos... maioritariamente pelo aroma doce que brota das suas páginas amarelecidas pelo tempo; chegava a, poderei dizer, devorar dois a três bons artigos por dia, grande parte na área das ciências exactas, com as quais tinha grande empatia. Achava as revistas um tanto ou quanto sem sabor, rejeitando as suas páginas impregnadas em tinta, mas não fugia a um bom jornal do século XIX. Os seus olhos olhavam os livros com o mesmo brilho com que um estudante universitário olha para um mega Big Tasty com Coca-Cola e milhões de batatas fritas no dia seguinte à noite de Quim Barreiros na Queima das Fitas. Sim, esse brilho de salvação pela gordura, sal e cafeína que apenas certas coisas nos conseguem dar. Eu olhava para ela da mesma maneira, não que a quisesse comer ou algo assim, mas com alegria no olhar. Na verdade, nunca me aproximei muito dela, não queria perturbar o seu destino. Mas, de certa forma, o seu olhar dava-me a entender que ela tolerava a minha presença... que eu era aquela pessoa na biblioteca que finge ler e finge vasculhar nos livros apenas para poder estar ao pé dela mais um bocadinho. Sentia-me feliz. O Verão passou... depois veio o Outono e eventualmente o Inverno... Mantivemos-nos cúmplices de olhares e de um ou outro livro rasgado na pressa de o recolocar na prateleira. Os dias correram tal como eu corria para a biblioteca todos os dias. E que bons foram esses dias.

Por fim chegou aquele fatídico dia... Estava um frio acutilante e tentava organizar os meus pensamentos enquanto me encaminhava para a biblioteca sem perder nenhuma parte dos meus membros pelo caminho. Ela tinha estado estranha nos dias anteriores... como se soubesse que o frio e o gelo estavam para chegar. Parecia mais distante, de qualquer das formas feliz, mas olhava-me com aquele ar de quem tem de ir embora e não tem tempo para dizer "até já", "até logo" ou até mesmo "adeus". Tremia... não das caixas brancas que nesta altura regurgitavam calor, nem do frio que me havia enregelado partes do corpo que eu nunca sonhara que pudessem ficar enregeladas... tremia com medo de não a tornar a ver, de ler nos seus olhos um distante "desculpa". Via pela última vez nessa manhã... à tarde voltei lá mas não a consegui encontrar. Fiquei desolado. Transformei as minhas manhã de Inverno numa procissão. Levantava-me, comia algo, agasalhava-me, enfrentava os dez graus negativos do caminho, vasculhava a biblioteca de uma ponta à outra e voltava resignado para casa. Creio que foi o Inverno mais triste de que me lembro... bem, talvez não tão triste como aquele ano em que no Natal pedi um computador e um carro telecomandado e acabei por receber três packs de três pares de meias das raquetes, duas camisolas interiores de aquecimento e uns boxers de seda com smiles amarelos no rabo... mas considero-o o mais triste de qualquer das formas.

Chegara o equinócio de Março... dia vinte para ser mais preciso. Acordara normalmente... ok, talvez um pouco batido da noite anterior, mas não deixei de acordar normalmente (não levei com um balde de água, nem com pessoal aos saltos na cama, logo considero normal). Abri a janela do quarto para deixar o etanol sair e o agradável aroma a tubos de escape e flores primaverís entrar. Olhei o Mundo com aquele ar esgazeado de quem deve horas de sono à cama, necessita de um café bem forte e uma dose redobrada de almoço. Tomei um banho para acordar, vesti-me e algures na TV passou uma daquelas notícias de "O Inverno acabou! Viva a Primavera!". Olhei para o relógio que pouco passava das dez horas da manhã, olhei a janela e deixei-me levar... Um estalo na parte de trás do cérebro fez-me acordar para a vida. Primavera!? Deitei a torrada para o prato apenas com duas dentadas no miolo... creio que derramei o café na bancada (o gato estava acelerado demais quando voltei para casa)... e sai a correr porta fora. Objectivo? Biblioteca! Corri tresloucadamente, como quem corre a fugir de um enxame de abelhas assassinas que vêm dizer um olá matinal. Choquei contra o rapaz dos jornais, tropecei num Dálmata e num Setter de umas quaisquer damas da cidade. Se me deslocasse mais rápido, estaria certamente qualificado para os jogos Olímpicos... pode-se dizer que fiz jus à palavra correr. Cheguei à porta da Biblioteca. As suas portas exteriores encontravam-se fechadas. O porquê percorreu-me o cérebro diversas vezes... era Primavera, e eu tinha de a ver novamente! Havia taipais em torno da biblioteca, formando uma intrincada muralha à sua volta. Na porta, uma pequena folha A4 transmitia a informação que me trespassou como uma faca. Lia-se: "A Biblioteca encontra-se encerrada para obras. Lamentamos eventuais inconvenientes!". "Como podem lamentar eventuais inconvenientes se nem sabem que inconvenientes são?" pensei para comigo. Sentia-me perdido... certamente não tão perdido como se estivesse num armazém de 10 andares repleto de roupa feminina, mas aquele perdido de quem foi deixado a flutuar no espaço por uma qualquer missão espacial. Não a poderia ver. Nunca a havia visto em qualquer outro lugar que não aquela biblioteca e as batidas na porta da mesma apenas traziam trolhas que me enxotavam como se fosse uma mosca. Afastei-me relutantemente enquanto olhava sobre o ombro para todo o edifício, com a tinta descascada e janelas escancaradas a deixar fugir o pó levantado pelas máquinas. À sua frente, um pequeno jardim aguardava os meus lamentos. Refugiei-me num banco e contemplei ao céu com desagrado. Sabia que era a altura de a ver... mas não me deixavam. Estávamos presos em lados opostos da mesma porta.

A alguns metros, uma pequena borboleta pairava... batia as suas lustrosas asas de mil cores, as mesmas mil cores que preenchem os intervalos entre as sete cores do arco-íris, mas que por teimosia ou timidez não se querem mostrar. Senti algum conforto e sorri. A borboleta aproximou-se e só então me apercebi que toda aquela magia que estava à minha frente era a mesma que me prendeu durante tantos meses naquela biblioteca... a mesma que me fez sofrer durante o Inverno e a mesma que me fez cá voltar. "Tudo se transforma..." pensei. Tal como um prado seco e sem vida dá origem a novas ervas, e essas ervas a insectos, pássaros e afins... também aquela pequena lagarta dos livros que tanto contemplei se transformou para seguir o seu caminho. Era agora mais um dos espectros de cor e alegria que enchem as Primaveras. Por momentos, os nossos olhos se cruzaram... perderam-se na mesma cumplicidade que havíamos partilhado tantas e tantas vezes. Mas desta vez não transmitiram tristeza, antes uma alegria pelo reencontro e um obrigado pela companhia. Ela voou alto até se perder no céu. Fiquei a contempla-la até não mais a ver... voltei para casa. De certa forma, senti-me novamente feliz.

FIM

Shuri Kata

terça-feira, maio 26, 2009

Buhemian

Sais à rua como se não passasse de um costume,
Encharcas-te brutalmente e perdes-te na noite,
Bem que procuras mas nenhuma conversa vem a lume,
Engasgas-te, tombas... fazes merda e levas um açoite.

Ainda tentas encontrar alegria na bebida,
Eterno refugio de mui grande gente,
Menosprezas outras coisas boas da vida,
Gastas o ar jovem, desperto e inocente.

Continuas a acreditar que nada se altera,
Que o tempo corre rápido e nada muda,
Mas a vida boémia esconde uma face bera,
E com tanta bebida, já ninguém te atura.

Tentas ser o fixe, o baril, o bacano...
Exploras as tuas potencialidades até ao limite,
Acabas por mandar boas amizades pelo cano,
E as asneiras? Essas estoiram como dinamite!

E quando tudo te passa, e nada tens ao acordar,
Olhas para o mundo numa nova perspectiva,
Vês que afinal o tempo teima em passar,
E que aquela gente, afinal também já se priva.

sábado, maio 16, 2009

Há...

Há dias mais introspectivos que outros...
Há momentos em que as ideias brotam gentilmente...
Há olhos que cativam e nos transformam em loucos...
Há palavras que calam toda a gente.

Há luzes que atraem mais traças...
Há nuvens que pingam mais do que deviam...
Há coisas que não se resolvem por mais que faças...
Há mentes que não pensam... criam!

Há criaturas que se destacam pela elegância...
Há outras que pecam por serem espampanantes...
Há quem seja julgado pela sua arrogância...
Há vidas que se cruzam, como amantes.

Há sons que nos atraem mais...
Há músicas que tocam a nossa alma...
Há tons que se destacam dos demais...
Há gritos que exprimem a nossa calma.

Há segundos que mais parecem horas...
Há horas que quase não se sentem...
Há tempo para aguentar certas demoras...
Há mentiras que simplesmente não se vendem.

Há alegrias em rostos apagados e tristes...
Há tristezas apagadas em alegres vidas...
Há silêncio mesmo quando muito insistes...
Há sentimentos em todas as frases lidas.

Há vida mesmo onde nada cresce...
Há razão por detrás de um açoite...
Há aquele momento que connosco mexe...
Há sempre dia depois do breu da noite.

terça-feira, abril 28, 2009

Só para quem necessita...

Alguém Me Ouviu
Boss AC
Projecto UPA: Unidos Para Ajudar

(Boss Ac)
Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que diz…

(Mariza)
Chorei,
Mas não sei se alguém me ouviu
Então sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo
Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

(Boss Ac)
Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar
Quem sou eu? Para onde vou? De onde vim?
Alguém me diga, porque, me sinto assim?
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz…

(Mariza)
Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo...
Busquei,
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo...

(Boss AC)
Tento não me ir abaixo mas não sou de ferro
Quando penso que tudo vai passar
Parece que mais me enterro
Sinto uma nuvem cinzenta que me acompanha onde estiver
E penso para mim mesmo será que Deus me quer
Será a vida apenas uma corrida prá morte
Cada um com a sua sina, cada um com a sua sorte
Não peço muito, não peço mais do que tenho direito
Olho para trás e analiso tudo o que tenho feito
E mesmo quando errei foi a tentar fazer o bem
Não sei o que é o ódio, não desejo mal a ninguém
Vai surgir um raio de luz no meio da porcaria
Porque até um relógio parado está certo duas vezes por dia
Vou-me aguentando
A esperança é a última a morrer
Neste jogo incerto o resultado não posso prever
E quando penso em desistir por me sentir infeliz
Oiço uma voz dentro de mim que me diz
Mantêm-te firme!

Espero que a letra vos faça sentido.

Cumprimentos,

Shuri Kata

terça-feira, abril 14, 2009

Alguma divagação...

Mente abstracta e confusa,
Loucura no pensamento,
Sente a repulsa,
De quem te procura com sentimento.
Passas pelo mundo,
Olhas o horizonte com lamento,
Levanta-te desse buraco imundo,
E vem mostrar o teu talento.

Tens a porta aberta,
Dão-te a mão com objectivo,
Põe a cabeça desperta,
Que é bem mais que um adjectivo.
Esta é a hora certa,
Para te focares num compromisso,
Trabalho que te liberta,
"Porra, afinal é mesmo isso!"

Sê livre deste jugo,
Combate na vida com intenção,
Porque no fim do mundo,
Apenas os livres resistirão.
Não vivas ao segundo,
Olha o futuro com ambição,
E no final de tudo,
Serás mais uma grande criação.

quarta-feira, abril 08, 2009

Respeito

Como conseguem ser tão ursos? Eu faço, eu aconteço, eu eu eu... Calem-se seus idiotas! Vocês não fazem é nada... Acham que são conquistas quando na realidade não fizeram senão um raide. Foram, massacraram e bazaram. Foram justos? Não creio que ser uma besta seja ser justo, mas as opiniões divergem. E quem segue sem olhar para trás acaba por ser o pior... que vive sem remorsos ou sentimentos. Que vê o rasto de destruição e não procura as vitimas, mas se as vir ainda calca em cima para ter a certeza que vai doer. Não são humanos... são criaturas vis com sérios problemas. Curem-se! Procuram apenas a sua felicidade. É bonito? Acham? Então experimentem proporcionar a felicidade alheia, quer seja por uma moeda, por um naco de pão, uma simples palavra ou apenas um sorriso. Não custa nada e a vossa felicidade será bem maior. O egocentrismo está desactualizado. Já não vivemos em aldeias e a população mundial não se resume a meros milhares. Actualizem-se e sejam melhores. Ou permaneçam assim... estupidos.

Quanto mais conheço destas pessoas, mais gosto de animais. Aquele que não respeita o próximo não pode merecer respeito.

Sinceramente,

Rick

sábado, abril 04, 2009

Just breathe...

Até que ponto somos "solos"? Até que ponto conseguimos olhar em volta e dizer: "OK, Eu sou um ser independente e livre!"

És livre? Ou não serás mais um escravo desta vida? Comes... porque tem de ser. Bebes... porque tem de ser. Vives... porque te meteram cá. Segues regras, tens papeis que dizem valer dinheiro, tens responsabilidades enquanto cidadão, tiras a carta de condução apenas como formalidade, votas porque é um dever.

Mas é isso que queres fazer? É essa a liberdade estúpida que todos temos, repleta de deveres cívicos que não interessam ao menino Jesus? É como temos de viver... tais ovelhas no prado... quais formigas humanas que dizem Amén a quem diz que manda.

Eu... em certo modo sou livre. Respiro por escolha minha, inalo as fragrâncias da vida... E quando me sinto preso, penso: "Just Breathe... and I'll always be free!"