Hoje parei uns segundos para admirar o nosso planeta. É simplesmente fabuloso verificar toda a engenharia envolvida na elaboração desta pequena pérola do Universo.
Hoje parei para sentir a brisa no rosto... para receber de braços abertos o aconchego do sol.
Hoje simplesmente parei... e amei o que senti.
sexta-feira, abril 09, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
domingo, março 07, 2010
Dreaming...
Ainda sonâmbulo me levanto,
Carrego no olhar o peso do cansaço,
No espelho perscruto-me no entretanto,
Automatizado, nem sei bem o que faço.
Água na cara, roupa no corpo,
Lentamente recupero da sonolência,
Ainda cambaleio... um pouco torto,
Luto para não perder a decência.
O dia passa sem que dele dê conta,
Corre célere para minha agonia,
Um desejo e qualquer coisa fica pronta,
A felicidade mistura-se com a melancolia.
O tempo para nada é válido,
As leis da Física dobram e curvam,
Se quiser saltar para um lugar cálido,
Viajo a velocidades que o mundo turvam.
A mente eventualmente clama por sossego,
O corpo implora por descansar,
Enrolo-me nas mantas, tal morcego,
E finalmente me preparo para acordar.
Carrego no olhar o peso do cansaço,
No espelho perscruto-me no entretanto,
Automatizado, nem sei bem o que faço.
Água na cara, roupa no corpo,
Lentamente recupero da sonolência,
Ainda cambaleio... um pouco torto,
Luto para não perder a decência.
O dia passa sem que dele dê conta,
Corre célere para minha agonia,
Um desejo e qualquer coisa fica pronta,
A felicidade mistura-se com a melancolia.
O tempo para nada é válido,
As leis da Física dobram e curvam,
Se quiser saltar para um lugar cálido,
Viajo a velocidades que o mundo turvam.
A mente eventualmente clama por sossego,
O corpo implora por descansar,
Enrolo-me nas mantas, tal morcego,
E finalmente me preparo para acordar.
domingo, fevereiro 21, 2010
Look down!
Novamente, a nossa esfera galáctica demonstrou, com toda a sua mestria, o quanto é dona de si própria. Com um golpe cruel, feriu brutalmente a mais prestigiada região autónoma portuguesa. Lamentavelmente, houve mortes, feridos, desalojados, em grande parte por a ganância do Homem se sobrepor à razão. Antes de olharmos para o céu em busca de ajuda, talvez fosse bom olhar para a terra e tentar compreende-la. Porque como qualquer senhora, tem os seus caprichos... e aprecia quando é estimada.
sábado, fevereiro 06, 2010
27º Capitulo - Fogo de cobertura
“AGORA!” grita Abdul com a sua gutural voz. Ouvem-se arcos a retesar uns atrás dos outros. Lá em baixo, um cavaleiro vai-se desviando agilmente por entre a chuva de flechas. O mesmo não poderei dizer dos que dele se acercam. O brilho do vidro negro à Lua é no mínimo desconcertante… é abafado… mórbido. “Oh sonhador, vê se dás o sinal!” exclama Tulfah enquanto aguarda pacientemente que Akmer esteja suficientemente perto para permitir passagem para a cidade. Lembro-me de grandes batalhas, combates ferozes entre os guerreiros do profeta e os infiéis. Tive o prazer de os presenciar e de os escrever para que possam ser relembrados… mas nunca estive na defensiva. Nunca tive de recuar e temer pela minha própria vida. No ar já não se ouvem o som característico das cordas a largar morte pelos campos… “Onde é que ele se meteu?” murmuram os arqueiros. De volta à realidade, dou com os arqueiros parados, à procura de algo nos terrenos abaixo. “Que se passa?” pergunto como se tivesse acabado de chegar. “Akmer foi cercado… depois desapareceu!” responde-me ansiosamente Teht. “Mas eles apanharam-no?” “Não, simplesmente… puf!”. Abdul dá uma palmada nas costas de Teht “Fica atento, Akmer não pode cair… todos são fundamentais agora!”. Tal como eu, Teht parece-me perdido, mas assente e volta para a muralha. Esperamos… e o mesmo faz o nosso inimigo. Não podemos disparar flechas com o risco de acertar no nosso companheiro. Consigo ver que há algo naquelas criaturas negras que ficou perturbado com a chegada de Akmer. Há algo que elas sabem e nós não, algo que elas temem ao ponto de se sacrificar para não o deixar passar. E parece-me que o meu amuleto também o sente… parece que está cada vez mais quente… parece que me quer dizer… “Tulfah, abre a porta rápido!” grito empoleirado na muralha. Tulfah olha-me com um certo desconforto. “Faz o que te digo! Abre a porta!”. Os soldados levantam as trancas e abre-se um espaço pouco maior que a largura de um cavalo. Como que por um sopro divino, os soldados que protegem a porta são atirados para o lado. “Podes fechar Tulfah!” volto a gritar. Ainda recompondo-se, os soldados apressam-se a fechar a porta. “E o Akmer?” pergunta Tulfah aparentando uma enorme confusão. “Não te preocupes Tulfah, já entrou quem tinha a entrar” digo, soltando um ligeiro sorriso. “Venham para as muralhas!”. Abdul, que se havia apercebido de toda a confusão gerada à porta, dá nova ordem a Teht aos arqueiros. Os soldados inimigos que ainda rondam o descampado à procura de Akmer começam a tombar sob as nossas flechas. No topo das colinas, a desordem inimiga é bem visível… e pouco duradoura! Parece que começou o assalto…
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Aparência
Vivemos num mundo aparente, onde as pessoas se movem pela aparência.
Exceptuando alguns elementos da sociedade, todos querem ser aquilo que não são, lutam por coisas que não necessitam, buscam tesouros que não lhes pertencem. Hoje em dia, quando se olha para alguém, vê-se apenas uma casca oca, sem essência que a preencha, essência essa que se perdeu algures na infância, quando nos disseram que deviamos ser algo aos olhos de alguém, e não aos nossos olhos. Crescemos com a ideia que somos o que queremos, e apenas quando chegamos a mais velhos é que batemos na parede da realidade... percebemos que a felicidade seguiu um outro caminho que não o nosso, o caminho da inocência, o caminho da verdade. De que nos vale ser algo aos olhos de alguém, se não reconhecemos o rosto que se espelha quando nos debruçamos sobre um lago? Qual o objectivo de não sermos justos com nós próprios? Que piada tem viver num eterno Carnaval veneziano?
Prezo aqueles que me falam dos seus problemas abertamente. Prezo os que não têm maldade no coração. Prezo os que se preocupam em ajudar o próximo ao invés de apenas se ajudarem a si. Prezo aqueles que não se escondem por detrás de mascaras, que são "um" sempre. Porque esses mesmos que eu prezo, são a luz que ilumina o caminho que eu quero seguir... demonstrando a rara beleza que ainda se pode encontrar em alguns seres humanos.
Exceptuando alguns elementos da sociedade, todos querem ser aquilo que não são, lutam por coisas que não necessitam, buscam tesouros que não lhes pertencem. Hoje em dia, quando se olha para alguém, vê-se apenas uma casca oca, sem essência que a preencha, essência essa que se perdeu algures na infância, quando nos disseram que deviamos ser algo aos olhos de alguém, e não aos nossos olhos. Crescemos com a ideia que somos o que queremos, e apenas quando chegamos a mais velhos é que batemos na parede da realidade... percebemos que a felicidade seguiu um outro caminho que não o nosso, o caminho da inocência, o caminho da verdade. De que nos vale ser algo aos olhos de alguém, se não reconhecemos o rosto que se espelha quando nos debruçamos sobre um lago? Qual o objectivo de não sermos justos com nós próprios? Que piada tem viver num eterno Carnaval veneziano?
Prezo aqueles que me falam dos seus problemas abertamente. Prezo os que não têm maldade no coração. Prezo os que se preocupam em ajudar o próximo ao invés de apenas se ajudarem a si. Prezo aqueles que não se escondem por detrás de mascaras, que são "um" sempre. Porque esses mesmos que eu prezo, são a luz que ilumina o caminho que eu quero seguir... demonstrando a rara beleza que ainda se pode encontrar em alguns seres humanos.
quinta-feira, janeiro 14, 2010
1º Post de MMX
Sei que a edição de um post de ano novo deveria ficar situada entre a meia noite do dia que o começa e as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos desse mesmo dia, mas cada um tem as suas limitações temporais, algo que o meu atraso certamente acusa. Não me encontro muito inspirado neste novo ano, talvez por falta de treino ou por simplesmente não ter dedicado o devido tempo às palavras que ecoam na pequena caixa. Compreendo que não seja aceitável uma tamanha falta de empenho numa área que me é deveras familiar, mas todas as coisas têm as suas razões, apesar de por vezes não conseguirmos ver o plano maior.
Apesar da falta de originalidade, tenho andado a reler os meus blogs numa tentativa de compreender a evolução natural da minha mente. Numa dessas incursões nostálgicas, deparei-me com algum trabalho que me pareceu desadequado ao blog em que se encontra. Assim, decidi reeditar essas mesmas palavras neste blog, certamente o mais acertado local onde elas devem repousar. Os três pensamentos que se seguem foram publicados no dia XXVI de Dezembro de MMVI num blog por alguns de vós conhecido: Shurikata na Linha.
Desejos de boa leitura e reflexão.
#1
Deprimente é o mundo em que vivemos... fome, miséria, destruição. E quem são os culpados? Gente estúpida!!! Pessoas que não sabem utilizar aquilo que têm senão para o mal. O cromo do Bush, Os extremistas, os corruptos, os ladrões, os invejosos. Será assim tão difícil viver em harmonia com o próximo? Não nos cabe a nós o direito a ser felizes? Tanta coisa que vejo… tanto cinismo e traição… tanto sofrimento e silêncio. Valerá isso, uma vida? Não seremos nós dignos do reino dos céus?
#2
Os dons são coisas maravilhosas. São o continuar de uma vida… uma transcendência, mas também uma maldição. Se há motivo para o Homem não ter vida eterna, é certamente o de não tolerarmos a morte dos que nos são próximos. A não compreensão do seu desaparecimento seria motivo de desejo do estado que procede a vida. Mas e se o dom não for esse? E se fossemos capazes de ler todas as almas?
#3
Apenas desejo a felicidade… nada mais! Não quero dinheiro, terras… apenas o sorriso até ao fim da minha vida. E a alegria de saber que a encontrei!
Saudações,
Shuri Kata
Apesar da falta de originalidade, tenho andado a reler os meus blogs numa tentativa de compreender a evolução natural da minha mente. Numa dessas incursões nostálgicas, deparei-me com algum trabalho que me pareceu desadequado ao blog em que se encontra. Assim, decidi reeditar essas mesmas palavras neste blog, certamente o mais acertado local onde elas devem repousar. Os três pensamentos que se seguem foram publicados no dia XXVI de Dezembro de MMVI num blog por alguns de vós conhecido: Shurikata na Linha.
Desejos de boa leitura e reflexão.
#1
Deprimente é o mundo em que vivemos... fome, miséria, destruição. E quem são os culpados? Gente estúpida!!! Pessoas que não sabem utilizar aquilo que têm senão para o mal. O cromo do Bush, Os extremistas, os corruptos, os ladrões, os invejosos. Será assim tão difícil viver em harmonia com o próximo? Não nos cabe a nós o direito a ser felizes? Tanta coisa que vejo… tanto cinismo e traição… tanto sofrimento e silêncio. Valerá isso, uma vida? Não seremos nós dignos do reino dos céus?
#2
Os dons são coisas maravilhosas. São o continuar de uma vida… uma transcendência, mas também uma maldição. Se há motivo para o Homem não ter vida eterna, é certamente o de não tolerarmos a morte dos que nos são próximos. A não compreensão do seu desaparecimento seria motivo de desejo do estado que procede a vida. Mas e se o dom não for esse? E se fossemos capazes de ler todas as almas?
#3
Apenas desejo a felicidade… nada mais! Não quero dinheiro, terras… apenas o sorriso até ao fim da minha vida. E a alegria de saber que a encontrei!
Saudações,
Shuri Kata
quinta-feira, dezembro 31, 2009
New Year
Caros leitores,
Sei que não desejei as típicas boas festas, mas para que conste, não as dei a ninguém. Afinal, quantas vezes ouviram essa expressão nos últimos dias? Não de devem lembrar... Mas certamente se lembram de quem não a deu. ;)
De qualquer das formas, gostaria de vos desejar um óptimo ano novo, repleto de coisas boas, saúde, trabalho e sorrisos. Pelo menos é o que desejo para mim.
Boas entradas!
Shuri Kata
Sei que não desejei as típicas boas festas, mas para que conste, não as dei a ninguém. Afinal, quantas vezes ouviram essa expressão nos últimos dias? Não de devem lembrar... Mas certamente se lembram de quem não a deu. ;)
De qualquer das formas, gostaria de vos desejar um óptimo ano novo, repleto de coisas boas, saúde, trabalho e sorrisos. Pelo menos é o que desejo para mim.
Boas entradas!
Shuri Kata
sábado, dezembro 19, 2009
26º Capitulo - Regresso de Akmer
O tempo conta-se pelo bater dos corações e pelo suspirar dos soldados. A ansiedade enervante em que nos encontramos vai-nos corrompendo o discernimento. A vista torna-se turva, ouvimos o que não existe… e chegamos a julgar que a ideia de nos entregarmos ao inimigo não é assim tão má. “Que raio estou eu a pensar?” Sou sacudido pelo grito de um dos soldados: “Movimentações a Norte!”. Corremos a muralha, tentando compreender o que estava a fazer aquele miserável amontoado de vidro negro. “TEHT!” Gritei. Teht apareceu como se sempre ali estivesse. “Ouvi o grito da torre… que se passa?”. “Diz-nos tu, oh arqueiro!” resmungou Tulfah. Teht inclinou-se na muralha, como que procurando eliminar interferências da luz dos archotes. “Meus senhores, parece-me que se aproxima alguém pela retaguarda do inimigo.”. “Em que números? Temos apoio?” Pergunta ansiosamente Abdul. “Não temos apoio… é Akmer!” exclama Teht. Creio que em ambos os lados destas muralhas, a confusão é total. “Que raio faz este batedor aqui a esta hora da noite? Uma gota de água no deserto… vai ser massacrado.” Mil ideias começam a fluir na minha cabeça. Sinto o amuleto a aquecer… o que quer que tenha de ser feito, tem de ser feito já! “Teht, consegues dar fogo de cobertura?”. “Vai ser difícil, mas posso tentar…” responde Teht olhando-me profundamente “… mas são muitos.”. Não necessitei de lhe dizer mais nada para setas certeiras começarem a voar das nossas muralhas. Um miúdo… provavelmente o melhor arqueiro que havia conhecido! Enquanto isso, Abdul convocara um grupo de arqueiros para o apoio a Teht. “Assim que os vossos arcos permitirem, quero ver vidro a brilhar à luz desta lua.” ordena Abdul. Tulfah descera para preparar a abertura da porta principal, porta de entrada para Akmer. Olho o horizonte. O tempo deixou de se medir… tudo parece acontecer devagar. Consigo ver cada expressão, sentir cada pensamento, ouvir cada berro dado pelos homens que me acompanham. Alá foi generoso ao permitir que os tenha conhecido. Olhando para o campo à minha frente, vejo Akmer galopando ferozmente o seu cavalo… aproveitando cada fresta nas linhas inimigas. A seu lado, pedaços de vidro estoiram contra cada seta de Teht. O arco longo de Teht confere-lhe um alcance invejável, comparado com os arcos curtos do resto dos arqueiros. “Mais uns metros e estará ao alcance… só mais uns metros!” penso em silêncio.
sexta-feira, dezembro 04, 2009
25º Capitulo - Preparativos
A noite vai alta. A Sul, a lua reflecte-se nas águas brandas do rio. Mais adiante, conseguimos ver o mar, o nosso único refúgio. Os nossos batedores voltaram com boas notícias; um grupo de pescadores trouxe embarcações e pelo menos uma parte dos residentes poderão deslizar pelas águas até uma aldeia próxima sem levantar muitas suspeitas. O caminho apresenta-se livre, mas de forma a evacuar eficientemente a cidade, os restantes deverão seguir a pé, junto à margem. Tulfah olha-me com ar de muitas dúvidas. “Acreditas mesmo que vai resultar?” pergunta-me. Também, que outras hipóteses teremos nós, tal língua de terra a preparar-se para ser esmagada por uma tormenta marítima. Nos fundos da muralha, uma pequena grade é retirada… a saída para os esgotos, para o rio e para a nossa liberdade. Um pequeno grupo de soldados vai reunindo as mulheres, crianças e idosos que não abandonaram a cidade nos dias antes ao cerco. Serão eles os transportados pelos barcos. Todos os homens capazes ficarão para trás para cobrir-lhes a retirada. Teht está nas muralhas, não vá algum soldado inimigo aproximar-se demasiado da nossa zona de fuga. Vou acordar Maria. Encontro-a sentada na cama, pensativa, com as adagas no colo. Olha-me como quem vai explodir em justificações, motivos, razões… mas não temos tempo para tal. Ele urge como a areia fina do deserto foge por entre os dedos da mais forte mão. Apesar da sua aparente revolta, concorda em partir nos barcos. Não a poderia deixar ficar num lugar condenado, com tantas coisas que ainda temos que preparar. Não tenho dúvidas que ela conseguirá defender-se no futuro, e por Alá, o futuro dela não é aqui. Despedimo-nos na praça principal, em frente à mesquita. Entre a silenciosa multidão, perco-a de vista. A vida deles está entregue… Parto com Tulfah e Abdul para as muralhas. Os milhares de soldados que havia visto na praça dias antes, afinal não chegam aos mil. Houve desertores, fugas, medo… quando a vida dos que nos estão perto está em risco, o coração faz-nos ver que não é pelo escudo ou pela lâmina da cimitarra que se terá paz. Assim, partiram. Na verdade, apenas nós sabemos disso. Para um qualquer soldado que se encontre no exterior da muralha, contam-nos aos milhares. Em todas as muralhas, foram acesas mais tochas para arqueiros… aqui e ali as lanças emergem acima das ameias… muito mais lanças do que o total de homens que temos, mas a ideia é mesmo essa. Entre a farsa e a ilusão, olhos atentos espreitam sobre as linhas inimigas, tentando compreender qualquer movimentação. Tudo parece correr bem e espero, por todos os meus antepassados, que assim continue. “Teatro do poeta… se nos safarmos desta, será uma boa história para contar aos meus netos.” murmura Abdul. Gracejamos o quanto nos é possível neste tenebroso momento…
quinta-feira, novembro 26, 2009
Walking on my shoes...
Apeteceu-me... Grande som e grande clip. Vale a pena mergulhar nele durante os seus 5 minutos.
Segue-se a letra:
I would tell you about the things
They put me through.
The pain I've been subjected to.
But the Lord himself would blush.
The countless feasts laid at my feet,
Forbidden fruits for me to eat.
But I think your pulse would start to rush.
Now I'm not looking for absolution,
Forgiveness for the things I do.
But before you come to any conclusions -
Try walking in my shoes,
Try walking in my shoes.
You'll stumble in my footsteps,
Keep the same appointments I kept.
If you try walking in my shoes.
If you try walking in my shoes.
Morality would frown upon,
Decency look down upon.
The scapegoat fate's made of me.
But I promise now, my judge and jurors,
My intentions couldn't have been purer.
My case is easy to see.
I'm not looking for a clearer conscience,
Peace of mind after what I've been through.
And before we talk of any repentance -
Try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.
You'll stumble in my footsteps,
Keep the same appointments I kept.
If you try walking in my shoes.
If you try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.
Now I'm not looking for absolution,
Forgiveness for the things I do.
But before you come to any conclusions -
Try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.
You'll stumble in my footsteps,
Keep the same appointments I kept.
If you try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.
If you try walking in my shoes.
Try walking in my shoes.
Enjoy.
Shuri Kata
quarta-feira, novembro 18, 2009
Dig me up...
Certamente uma das minhas musicas preferidas.
Um pedido de ajuda por parte daqueles que se perdem no seu próprio mundo...
We all have a weakness
But some of ours are easy to identify.
Look me in the eye and ask for forgiveness;
We'll make a pact to never speak that word again
Yes you are my friend.
We all have something that digs at us,
At least we dig each other
So when weakness turns my ego up
I know you'll count on the me from yesterday
If I turn into another
Dig me up from under what is covering
The better part of me
Sing this song
Remind me that we'll always have each other
When everything else is gone.
We all have a sickness
That cleverly attaches and multiplies
No matter how we try.
We all have someone that digs at us,
At least we dig each other
So when sickness turns my ego up
I know you'll act as a clever medicine.
If I turn into another
Dig me up from under what is covering
The better part of me.
Sing this song!
Remind me that we'll always have each other
When everything else is gone.
Oh each other....
When everything else is gone.
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, ohh
oh, oh, oh, oh, oh, oh, ohhhh
If I turn into another
Dig me up from under what is covering
The better part of me.
Sing this song!
Remind me that we'll always have each other
When everything else is gone.
Oh each other....
When everything else is gone.
Oh each other....
When everything else is gone.
Shuri Kata
domingo, novembro 15, 2009
Sound Of Silence
Porque por vezes o silêncio é a nossa maior arma,
Porque é nele que muitas vezes nos perdemos,
Porque o usamos como refúgio nas nossas dores,
Porque é uma companheiro de momentos menos bons...
Porque está sempre lá... tal como aquele grande amigo que sempre nos acompanha.
Cumprimentos,
Shuri Kata
terça-feira, outubro 06, 2009
Efémeros...
No fundo, não passamos de efémeras criaturas que na sua escala temporal se prolongam em média por 75 anos... ou não. Olhamos para aquelas coisinhas voadoras e pensamos: "Coitadas... viver 24 horas apenas para perpetuar a espécie." Sim, e nós fazemos muito mais... ou não! Muitos de nós anda cá a ver passar navios... sem ter objectivos definidos, sem deixar uma marca positiva no planeta. Apenas nascem, crescem, eventualmente se multiplicam e definham até à morte.
-Gervásio Lameirinhas... "Ah, quem é esse?" "Sei lá!"...
E todos aqueles anos que esse senhor cá andou, de pouco ou nada serviram para evitar a sua queda no esquecimento. Não quero ser mais um que não deixa o seu nome na história. Quero fazer algo de positivo para a Humanidade. Para que um dia, no meu leito de morte, possa dizer: "Tudo o que a vista alcança é fruto do meu esforço... da minha paixão... da minha vida!"
E quando o meu nome constar nos compêndios de história, aí sim, deixei de ser efémero!
Vamos mudar isto tudo para melhor! É altura de imortalizar a nossa passagem na Terra!
Shuri Kata
-Gervásio Lameirinhas... "Ah, quem é esse?" "Sei lá!"...
E todos aqueles anos que esse senhor cá andou, de pouco ou nada serviram para evitar a sua queda no esquecimento. Não quero ser mais um que não deixa o seu nome na história. Quero fazer algo de positivo para a Humanidade. Para que um dia, no meu leito de morte, possa dizer: "Tudo o que a vista alcança é fruto do meu esforço... da minha paixão... da minha vida!"
E quando o meu nome constar nos compêndios de história, aí sim, deixei de ser efémero!
Vamos mudar isto tudo para melhor! É altura de imortalizar a nossa passagem na Terra!
Shuri Kata
domingo, setembro 13, 2009
Pulsating Earth
Não me quero prolongar na escrita...
Quero apenas convocar-vos para pararem 5 minutos no vosso local (mais próximo) favorito. Sentem-se, deitem-se, ponham-se à vontade... e nesses 5 minutos sejam UM com a natureza. Disfrutem da paisagem, do som, do toque das coisas. Porque esses momentos são cada vez mais raros e sinceramente fazem-nos tanta falta.
Estamos a perder o contacto com o nosso Planeta.
Façam o favor de sentir o pulsar da Mãe Natureza!
quinta-feira, setembro 03, 2009
#030909
Passamos a vida numa cápsula de reflexão,
Em busca de respostas escondidas pelo tempo.
E quando se trata de felicidade, pois então,
Muitas das vezes bloqueamos por desalento.
Mudamos de vida, hábitos... direcção,
Sem olharmos para trás, um só momento.
Basta-nos um divino momento de inspiração,
E tudo se engrena em pensamento.
Que vida a nossa, terrena e banal,
Quantos dias passaram e só agora aprendi,
O que me basta para ser feliz afinal,
É estares a meu lado... é ter-te aqui!
domingo, agosto 02, 2009
...
Viveremos eternamente distantes,
Sôfregos, buscando a doce alegria,
Dos sonhos, tão belos diamantes,
Sobra-me na pele, uma estranha alergia.
De feitios deveras diferentes,
Ultrapassámos obstáculos com bravura,
Porque olhais agora em volta... para as gentes,
Se é em mim que deveis focar vossa ternura?
Seremos breves mas imortais,
Se quiserdes vós tal distinção.
Caguemos de alto para os demais,
No nosso pequeno mundo de ilusão.
Tendes uma alma doce mas caprichosa,
Virais o mundo em busca do que vos pertence.
Sois carrancuda e simplesmente teimosa,
Quando a vossa vontade nada vence.
Sôfregos, buscando a doce alegria,
Dos sonhos, tão belos diamantes,
Sobra-me na pele, uma estranha alergia.
De feitios deveras diferentes,
Ultrapassámos obstáculos com bravura,
Porque olhais agora em volta... para as gentes,
Se é em mim que deveis focar vossa ternura?
Seremos breves mas imortais,
Se quiserdes vós tal distinção.
Caguemos de alto para os demais,
No nosso pequeno mundo de ilusão.
Tendes uma alma doce mas caprichosa,
Virais o mundo em busca do que vos pertence.
Sois carrancuda e simplesmente teimosa,
Quando a vossa vontade nada vence.
segunda-feira, julho 06, 2009
Quem...
Sinto-me escuro e por vezes arrepiante,
Vejo nos vossos olhos a efémera euforia!
Aquela gota de suor que vos escorre pelo rosto,
Não mais irá correr ao fim do dia.
Para muitos sou um eterno vigilante,
Amigos tenho apenas por breves momentos,
Prefiro o trabalho quando o sol está posto,
E assim sempre será até ao fim dos tempos.
Levo as vossas almas para o descanso,
Não tenho qualquer bandeira ou nação,
Dos vales às montanhas eu alcanço,
Basta simplesmente tocar-vos com a mão.
Quem sou eu afinal?
sábado, junho 20, 2009
Short Story - Paixão na Biblioteca
Era uma acalorada tarde de Verão. No ar, a única brisa, que se fazia sentir, era mais quente que o ar que expirava. Sentia os quarenta graus Celsius nos ombros como um escravo absorve cada chicoteada do seu amo. Aquando de mais uma investida por sombra, que no fundo me levava a percorrer todas as tascas e tasquinhas da cidade numa cambaleante indisposição, dei por mim às portas da biblioteca cá do sitio. Decidi entrar e deliciar-me com a modernidade e frescura proveniente das caixas brancas existentes por cima de algumas janelas. Creio que lhes chamam "Ar Condicionado", e diga-se de passagem que é uma coisa bem esgalhada. Encostei-me a uma janela e mirei o horizonte como que perscrutando por aquele inimigo que não se deixa ver... esperei. Limpei as gotas de suor que me desciam eminentemente pelo rosto enquanto a caixa branca vomitava frescura sobre a minha cabeça. Lá fora, silhuetas ténues dançavam à luz, criando a ilusão de coisas que realmente não estavam lá... ou estariam? Olhei o relógio e ponderei a permanência neste oásis de calma e frescura por mais uns momentos e porque não, aproveitar para por a leitura em dia. Afinal, não me lembrava da última vez que havia posto a vista sobre um livro. Já nem me lembrava do que continham... letras e imagens presumo, que para mim recordavam hieróglifos de tão distantes que agora estavam. Decidi mergulhar numa leitura reconciliante. Percorri vagarosamente os corredores da biblioteca em busca de algo que me saltasse à vista... não que os livros saltem, mas creio que compreendem o que quero dizer. Biologia, História, Geociências... cada secção, apesar de interessante, parecia menos acolhedora que a outra. Jornais? Nah... Diário da Republica? Nem pensar!
Percorria a parte das enciclopédias quando os nossos olhos se cruzaram pela primeira vez por entre o espaço entalado entre os livros e a estante de cima. Eu, taralhoco de calor em busca da iluminação lírica e ela, calma e serena a vasculhar os livros com a graciosidade de quem sabe onde encontrar tudo. Desviei o olhar por segundos... não a queria incomodar, mas a sua presença inquietava-me ao ponto de converter as minhas íris em magnetos que procuravam os elementos férricos do seu corpo. Ela era esguia mas de curvas acentuadas, tinha olhos negros como antracite sensualmente contrastantes com a palidez de uma pele que raramente partilhara o mesmo espaço com raios de sol. Deslizava elegantemente com as suas vestes de seda, percorrendo todos os livros com uma paz que parecia ser só dela. Olhou uma última vez para mim e desapareceu atrás do XII Volume da Enciclopédia Larousse. O meu relógio marcava as cinco horas da tarde e o sol rebelava com uma nuvem no distante céu. "Boa hora para ir para casa" pensei para comigo. Ao sair, vasculhei a biblioteca para ver se a encontrava... sabia que estava ali algures, mas simplesmente já não a conseguia ver.
No dia seguinte, decidi voltar à biblioteca. Não sentia a atracção pelos livros... era ela que me chamava para lá. Era manhã cedo e fui presenteado pelo aroma a jornais frescos assim que ultrapassei as portas giratórias. Procurei-a como um louco... secção a secção... no rés-do-chão e depois no primeiro andar. Cabisbaixo por não a ver em lado algum, decidi dar uma leitura pelas noticias do dia. Sempre achei muita fruta, de todas as pessoas que partilham o mesmo espaço com ela, apenas eu lhe ter chamado a atenção... Que burro ter perdido este tempo com sonhos totalmente irrealistas. Afinal, numa cidade com milhões de almas, qual a probabilidade de a tornar a ver? Mergulhei na crise económica e nos ensaios nucleares da Coreia do Norte e deixei o tempo passar. Aqui e ali, levantava a cabeça e batia os corredores na vã esperança de que o brilho dos seus olhos me guiasse como um farol. Ao meio-dia fui almoçar e entornei umas quantas garrafas de cerveja para o meu interior. Tornara a estar uma tarde desagradável com temperaturas extenuantes. Deambulei por umas quantas esplanadas e outros abrigos... analisando o conteúdo alcoólico de muitas outras garrafas de cerveja, enquanto procurava uma explicação plausível para uma tamanha pancada... uma paixão na biblioteca. Já tinha tido pancadas, é verdade... daquelas que nos roubam o pensamento e deixam-nos a ver um frame do mesmo filme durante horas e horas, tal moldura digital com erro de programação. O cedo virou tarde e o tarde virou noite... ligeiramente alcoolizado, decidi voltar para casa. Sentia amargura na boca, mas creio que foi dos pimentos que acompanharam a sardinha.
Manhã cedo, um novo dia e uma dor de cabeça de proporções homéricas percorria todos os lóbulos do meu cérebro. Aliás, creio que cérebro é uma descrição um tanto ou quanto megalómana para o aglomerado de células mirradas que se encontrava dentro da minha caixa encefálica nessa manhã. Vesti-me, tomei um forte café com a torrada da manhã e bebi meia garrafa de litro e meio de água só para revitalizar um pouco. Sentia-me grogue... do álcool e de curiosidade. Queria ver aquela criatura mais uma vez... só mais uma. Sentia-me um agarrado a uma qualquer droga. Tinha a necessidade de estar ao pé dela, mesmo que fosse apenas para me perder por uma fracção de segundo nos seus olhos. Odiava-me por ser mais forte do que eu, mas poderia dizer que de uma certa forma, nomeadamente em visitas a bibliotecas, ela já havia mudado a minha vida. Creio que me senti como Yuri Gagarine quando chegou ao espaço... grande e ao mesmo tempo pequeno. Corri para a biblioteca com determinação... o sangue dos Hunos corria-me pelas veias e apenas a visão dela, tamanha vitória, me poderia acalmar. Percorri os corredores tão tresloucadamente que eventualmente me perguntaram se poderia fazer menos barulho. De que me interessavam os exames de aferição... ou os exames nacionais. "Restrinjam-se à vossa vida insignificante, suas vis criaturas!" temo ter gritado a certa altura. Tremia... mas não era das caixas brancas estarem a debitar mais frescura do que o meu corpo poderia aguentar... não! Era nervos que me percorriam o corpo... sentia-me ressacado e desanimado por não a encontrar novamente. Respirei fundo. Aliás, não me lembro de ter inalado tanto ar em tão pouco tempo, durante toda a minha vida, e posteriormente a consequente libertação do mesmo, que diga-se de passagem que foi equitativamente grande.
Fechei os olhos e esperei por um sinal... um farol no pensamento que me guiasse até ela. Senti o ar... senti toda aquela amalgama de livros tornarem-se nada e vi-a finalmente. Lá estava ela, esplendorosa como no dia em que primeiramente a vi. Abri os olhos e dirigi-me para a secção de desporto. Com uma paz só dela, percorria os livros até achar um que lhe chamasse a atenção e perdia-se nele por uns momentos. Depois, emergia das suas páginas e voltava a bater os livros todos à procura de mais um ou outro artigo que lhe interessasse. Olhei-a durante horas... sorrateiramente, ora fingindo que estava a escolher um livro, ora lendo uma revista na diagonal. Por vezes desaparecia do meu campo de visão e via-me obrigado a mudar de mesa, escolher outro livro ou simplesmente passar por ela para a secção seguinte, tentando providenciar um eventual encontro.
Seguiram-se dias nisto... acabei por conhecer os seus hábitos. Todos os dias voltava e cada vez era mais fácil saber onde ela iria estar... qual o corredor... qual a secção... quais os livros que iria percorrer até parar, embrenhar-se um pouco e seguir caminho. Descobri que a sua vida se resumia à biblioteca. No fundo, era uma autodidacta com requintados gostos. Preferia os livros antigos aos novos... maioritariamente pelo aroma doce que brota das suas páginas amarelecidas pelo tempo; chegava a, poderei dizer, devorar dois a três bons artigos por dia, grande parte na área das ciências exactas, com as quais tinha grande empatia. Achava as revistas um tanto ou quanto sem sabor, rejeitando as suas páginas impregnadas em tinta, mas não fugia a um bom jornal do século XIX. Os seus olhos olhavam os livros com o mesmo brilho com que um estudante universitário olha para um mega Big Tasty com Coca-Cola e milhões de batatas fritas no dia seguinte à noite de Quim Barreiros na Queima das Fitas. Sim, esse brilho de salvação pela gordura, sal e cafeína que apenas certas coisas nos conseguem dar. Eu olhava para ela da mesma maneira, não que a quisesse comer ou algo assim, mas com alegria no olhar. Na verdade, nunca me aproximei muito dela, não queria perturbar o seu destino. Mas, de certa forma, o seu olhar dava-me a entender que ela tolerava a minha presença... que eu era aquela pessoa na biblioteca que finge ler e finge vasculhar nos livros apenas para poder estar ao pé dela mais um bocadinho. Sentia-me feliz. O Verão passou... depois veio o Outono e eventualmente o Inverno... Mantivemos-nos cúmplices de olhares e de um ou outro livro rasgado na pressa de o recolocar na prateleira. Os dias correram tal como eu corria para a biblioteca todos os dias. E que bons foram esses dias.
Por fim chegou aquele fatídico dia... Estava um frio acutilante e tentava organizar os meus pensamentos enquanto me encaminhava para a biblioteca sem perder nenhuma parte dos meus membros pelo caminho. Ela tinha estado estranha nos dias anteriores... como se soubesse que o frio e o gelo estavam para chegar. Parecia mais distante, de qualquer das formas feliz, mas olhava-me com aquele ar de quem tem de ir embora e não tem tempo para dizer "até já", "até logo" ou até mesmo "adeus". Tremia... não das caixas brancas que nesta altura regurgitavam calor, nem do frio que me havia enregelado partes do corpo que eu nunca sonhara que pudessem ficar enregeladas... tremia com medo de não a tornar a ver, de ler nos seus olhos um distante "desculpa". Via pela última vez nessa manhã... à tarde voltei lá mas não a consegui encontrar. Fiquei desolado. Transformei as minhas manhã de Inverno numa procissão. Levantava-me, comia algo, agasalhava-me, enfrentava os dez graus negativos do caminho, vasculhava a biblioteca de uma ponta à outra e voltava resignado para casa. Creio que foi o Inverno mais triste de que me lembro... bem, talvez não tão triste como aquele ano em que no Natal pedi um computador e um carro telecomandado e acabei por receber três packs de três pares de meias das raquetes, duas camisolas interiores de aquecimento e uns boxers de seda com smiles amarelos no rabo... mas considero-o o mais triste de qualquer das formas.
Chegara o equinócio de Março... dia vinte para ser mais preciso. Acordara normalmente... ok, talvez um pouco batido da noite anterior, mas não deixei de acordar normalmente (não levei com um balde de água, nem com pessoal aos saltos na cama, logo considero normal). Abri a janela do quarto para deixar o etanol sair e o agradável aroma a tubos de escape e flores primaverís entrar. Olhei o Mundo com aquele ar esgazeado de quem deve horas de sono à cama, necessita de um café bem forte e uma dose redobrada de almoço. Tomei um banho para acordar, vesti-me e algures na TV passou uma daquelas notícias de "O Inverno acabou! Viva a Primavera!". Olhei para o relógio que pouco passava das dez horas da manhã, olhei a janela e deixei-me levar... Um estalo na parte de trás do cérebro fez-me acordar para a vida. Primavera!? Deitei a torrada para o prato apenas com duas dentadas no miolo... creio que derramei o café na bancada (o gato estava acelerado demais quando voltei para casa)... e sai a correr porta fora. Objectivo? Biblioteca! Corri tresloucadamente, como quem corre a fugir de um enxame de abelhas assassinas que vêm dizer um olá matinal. Choquei contra o rapaz dos jornais, tropecei num Dálmata e num Setter de umas quaisquer damas da cidade. Se me deslocasse mais rápido, estaria certamente qualificado para os jogos Olímpicos... pode-se dizer que fiz jus à palavra correr. Cheguei à porta da Biblioteca. As suas portas exteriores encontravam-se fechadas. O porquê percorreu-me o cérebro diversas vezes... era Primavera, e eu tinha de a ver novamente! Havia taipais em torno da biblioteca, formando uma intrincada muralha à sua volta. Na porta, uma pequena folha A4 transmitia a informação que me trespassou como uma faca. Lia-se: "A Biblioteca encontra-se encerrada para obras. Lamentamos eventuais inconvenientes!". "Como podem lamentar eventuais inconvenientes se nem sabem que inconvenientes são?" pensei para comigo. Sentia-me perdido... certamente não tão perdido como se estivesse num armazém de 10 andares repleto de roupa feminina, mas aquele perdido de quem foi deixado a flutuar no espaço por uma qualquer missão espacial. Não a poderia ver. Nunca a havia visto em qualquer outro lugar que não aquela biblioteca e as batidas na porta da mesma apenas traziam trolhas que me enxotavam como se fosse uma mosca. Afastei-me relutantemente enquanto olhava sobre o ombro para todo o edifício, com a tinta descascada e janelas escancaradas a deixar fugir o pó levantado pelas máquinas. À sua frente, um pequeno jardim aguardava os meus lamentos. Refugiei-me num banco e contemplei ao céu com desagrado. Sabia que era a altura de a ver... mas não me deixavam. Estávamos presos em lados opostos da mesma porta.
A alguns metros, uma pequena borboleta pairava... batia as suas lustrosas asas de mil cores, as mesmas mil cores que preenchem os intervalos entre as sete cores do arco-íris, mas que por teimosia ou timidez não se querem mostrar. Senti algum conforto e sorri. A borboleta aproximou-se e só então me apercebi que toda aquela magia que estava à minha frente era a mesma que me prendeu durante tantos meses naquela biblioteca... a mesma que me fez sofrer durante o Inverno e a mesma que me fez cá voltar. "Tudo se transforma..." pensei. Tal como um prado seco e sem vida dá origem a novas ervas, e essas ervas a insectos, pássaros e afins... também aquela pequena lagarta dos livros que tanto contemplei se transformou para seguir o seu caminho. Era agora mais um dos espectros de cor e alegria que enchem as Primaveras. Por momentos, os nossos olhos se cruzaram... perderam-se na mesma cumplicidade que havíamos partilhado tantas e tantas vezes. Mas desta vez não transmitiram tristeza, antes uma alegria pelo reencontro e um obrigado pela companhia. Ela voou alto até se perder no céu. Fiquei a contempla-la até não mais a ver... voltei para casa. De certa forma, senti-me novamente feliz.
FIM
Shuri Kata
terça-feira, maio 26, 2009
Buhemian
Sais à rua como se não passasse de um costume,
Encharcas-te brutalmente e perdes-te na noite,
Bem que procuras mas nenhuma conversa vem a lume,
Engasgas-te, tombas... fazes merda e levas um açoite.
Ainda tentas encontrar alegria na bebida,
Eterno refugio de mui grande gente,
Menosprezas outras coisas boas da vida,
Gastas o ar jovem, desperto e inocente.
Continuas a acreditar que nada se altera,
Que o tempo corre rápido e nada muda,
Mas a vida boémia esconde uma face bera,
E com tanta bebida, já ninguém te atura.
Tentas ser o fixe, o baril, o bacano...
Exploras as tuas potencialidades até ao limite,
Acabas por mandar boas amizades pelo cano,
E as asneiras? Essas estoiram como dinamite!
E quando tudo te passa, e nada tens ao acordar,
Olhas para o mundo numa nova perspectiva,
Vês que afinal o tempo teima em passar,
E que aquela gente, afinal também já se priva.
Encharcas-te brutalmente e perdes-te na noite,
Bem que procuras mas nenhuma conversa vem a lume,
Engasgas-te, tombas... fazes merda e levas um açoite.
Ainda tentas encontrar alegria na bebida,
Eterno refugio de mui grande gente,
Menosprezas outras coisas boas da vida,
Gastas o ar jovem, desperto e inocente.
Continuas a acreditar que nada se altera,
Que o tempo corre rápido e nada muda,
Mas a vida boémia esconde uma face bera,
E com tanta bebida, já ninguém te atura.
Tentas ser o fixe, o baril, o bacano...
Exploras as tuas potencialidades até ao limite,
Acabas por mandar boas amizades pelo cano,
E as asneiras? Essas estoiram como dinamite!
E quando tudo te passa, e nada tens ao acordar,
Olhas para o mundo numa nova perspectiva,
Vês que afinal o tempo teima em passar,
E que aquela gente, afinal também já se priva.
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