terça-feira, agosto 13, 2013

Por Entre os Sons da Música

"Por entre os sons da música, ao ouvido
como a uma porta que ficou entreaberta
o que se me revela em ter sentido
é o que por essa música encoberta

acena em vão do outro lado dela
e eu sinto como a voz que respondesse
ao que em mim não chamou nem está nela,
porque é só o desejar que aí batesse."

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'

sexta-feira, julho 12, 2013

Divagando

Sentes o frio? Consegues morder a insensatez?
E no meio desta platonía miserável será que eventualmente ouves?
O chocalhar do tempo a passar...
O tick tack de uma total imobilidade?
Haverá aí vida? Estarás realmente aí?

quarta-feira, junho 19, 2013

Utopias

Todos temos as nossas utopias... pequenos mundos que concebemos por educação ou auto recriação. O triste é constatar que por muito que se faça, para que essas idealizações se tornem realidade, invariavelmente as mesmas permanecem distantes e inatingíveis; que por mais que percorramos o caminho, jamais chegaremos ao seu término.

E por mais que nos chamem à atenção, continuamos a calcar o mesmo trilho... porque no fundo acreditamos que no final do arco-iris existe o danado do caldeirão com as moedas de oiro. E como doi esta incessante busca, com todos os abr'olhos associados.

Jamais deitarei a toalha ao chão, simplesmente deixarei de a forçar. O que tiver de ser, assim será... e quiçá uma dia já não seja tão utópico assim.

MRC

quarta-feira, maio 01, 2013

Livros gratuitos? Ora bem haja!


Perder horas a fio em constantes pesquisas deste e daquele livro… especialmente em formatos eletrónicos que permitam uma fácil consulta, encontra-se a meio clique do seu fim. Já dei por mim a vasculhar freneticamente a internet à procura de fontes fidedignas de bons livros para ler em PDF no repouso da sala de estar, em pc e/ou no tablet e a verdade é que, apesar de a oferta ser mais do que muita, por vezes essas ditas fontes, ou sites, pecam pelo excesso de complexidade, buscas infrutíferas e documentos incompletos em línguas que pouco ou nada interessam.

Numa busca por alguns trabalhos, desta vez do nosso amado Eça de Queirós, deparei-me com uma pequena maravilha de site que muito me agradou. O interface limpo complementado com a bela da barra de pesquisas é meio caminho andado para encontrar a publicação desejada. Não faço ideia de como o site opera no seu amago, mas pelo que consigo entender, compila toda uma vasta coleção de livros em formato PDF extraídos de diversos sites… e posta-a na nossa frente para o download gratuito ou eventual consulta no pequeno mas útil leitor incorporado.

Fazendo umas pequenas contas, consegue-se perceber que já tem disponíveis mais de 4000 obras só em português, desde livros completos a artigos de revistas e outras publicações “mais leves”. Pelo menos fiquei com a sensação de que não há uma busca que se revele de todo infrutífera e a lista de resultados vem sempre bem recheada.

Creio, no entanto, que mesmo esta pequena joia da internet podia ser um pouco mais polida para refulgir em todo o seu esplendor. O número de obras, apesar de já ser significativo para a língua de Camões, ainda carece de mais alguns zeros para se tornar digna de nota e se destacar dos outros sites que oferecem o mesmo serviço. Deparei-me ainda com diversas publicações em português do Brasil que não estavam nos planos e que, convenhamos, não há forma de filtrar com a devida conveniência e com muita pena minha. Fica a dica para um eventual melhoramento desta parte do site.

Apesar da totalidade de obras acessíveis, há sempre uma ou outra ligação que não funciona, mas nada que o link para o ficheiro logo abaixo não resolva rapidamente. Falta uma filtragem melhorada para impedir que o típico erro 404 apareça no nosso ecrã momentos depois de o nosso sorriso se rasgar com os resultados da pesquisa.

De um modo geral, este novo repositório, como eu acho que se deveria chamar, apresenta-se como uma ótima alternativa para quem, como eu, gosta de pesquisar pelas mais diversas publicações. Poderá não conter todos os livros ou ensaios científicos que necessitamos mas a verdade é que uma boa parte deles já lá está… e em inglês… e em francês… e em outras trinta e uma línguas. Como já referi, necessita de alguns aprimoramentos para ficar realmente genial, mas não se livra de levar uma boa nota pelo conceito minimalista e funcional.

E não é tão bom ter acesso a livros gratuitos? Da minha parte, bem-haja!

quarta-feira, março 06, 2013

Priorizar

Quer-me parecer que cada um de nós apresenta uma certa reticencia em crescer... em abraçar a idade adulta e esquecer de vez os tempos de miúdo  Curioso mesmo é verificar que não são assim tão poucas as pessoas com este problema, em que o “Forever Young” ainda é o hino de uma vida. Imaginar que em tempos idos havia tempo (e perdoem-me a redundância)  para praticamente tudo... para fazer milhares de coisas em simultâneo e ainda sobrava alguma coisa para os estudos, para as maluqueiras, para o namoro... e como corre agora o sacana. Há dias em que passa a uma velocidade tal que quando acordo na manhã seguinte, penso que o dia anterior foi parte um sonho.

É inacreditável o movimento dos ponteiros, especialmente quando estamos tão embrenhados em trabalho e preocupações que as horas se transformam em minutos e os últimos, assustadores segundos. A partir de hoje vou priorizar as coisas realmente importantes. Se temos os braços cheios de tralha, nunca iremos ter espaço para abarcar as coisas que interessam mesmo!

Não me levem a mal, mas vou ali amar e talvez já venha.

MRC

sábado, janeiro 05, 2013

Epifania do Senhor

Amanhã é o chamado Dia de Reis, dia em que normalmente desfazemos os enfeites natalícios. Curiosamente, é o dia em que, nos países de origem espanica, se abrem as prendinhas que os tugas já estão fartos de utilizar. hehe. No fundo, faz algum sentido, dado que os três reis magos é que trouxeram as prendas e não propriamente o Pai natal. Mas afinal o que se celebra amanhã?

Não tendo muito tempo para andar a fazer investigações exaustivas, pareceu-me que a versão disponível na Wikipédia seria bastante válida. Aqui fica:

"A Epifania do Senhor (do grego: Ἐπιφάνεια, : "a aparição; um fenômeno miraculoso") é uma festa religiosa cristã que celebrava-se no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, porém, a partir da reforma do calendário litúrgico em 1969 passou a ser comemorada 2 domingos após o Natal.

A Epifania representa a manifestação de Jesus Cristo como o enviado de Deus Pai, quando o filho do Criador dá-se a conhecer ao Mundo. Na narração bíblica Jesus deu-se a conhecer a diferentes pessoas e em diferentes momentos, porém o mundo cristão celebra como epifanias três eventos: a Epifania propriamente dita perante os magos do oriente (como está relatado em Mateus 2, 1-12) e que é celebrada no dia 6 de Janeiro; a Epifania a João Batista no rio Jordão; e a Epifania a seus discípulos e início de sua vida pública com o milagre de Caná quando começa o seu ministério.

No sentido literário, a "epifania" é um momento privilegiado de revelação, quando acontece um evento ou incidente que "ilumina" a vida da personagem."

Espero que para os curiosos esta postagem seja tão esclarecedora como a sua elaboração foi para mim.

E muitas prendinhas para os nossos amigos espanhois!

terça-feira, janeiro 01, 2013

Feliz Ano Novo

Não há muito para dizer quanto a isto.

Apenas que tudo vos corra pelo melhor neste novo ano, com o suficiente para sermos felizes.

E façam por isso!

Abraço

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Time...

Queira-se manter um blog ou dois, que estes sempre requerem tempo e dedicação. Vontade poderá não faltar ao autor mas o mesmo tempo que se refere na primeira linha deste post tende a desvanecer-se com tanta outra coisa que cruza o caminho.

Família, trabalho, e uma demais panóplia de sorvedouros do essencial néctar da vida... esse tempo que insiste em nos escorrer pelos dedos como a mais fina areia. Pior só mesmo vê-lo sumir-se e nada fazer! Pior só mesmo deixar que ele continue o seu percurso enquanto nos mantemos impávidos e serenos na nossa ignorante realidade.

Não devemos considerar que o tempo é de todo mal gasto. Há coisas pelas quais podemos perder uns batimentos do coração... parar para respirar aquele ar puro... olhar para os mais belos olhos... esboçar um simples sorriso de admiração... amar incondicionalmente!

O que é triste é verificar que há quem dispense tanto desta força universal em nada. E nisso por vezes peco. E a mim lamento.

Tempo para a familia? Sem dúvida!
Tempo para o trabalho? Que remédio.
Tempo para os amigos? Porque não?
Tempo de viver? Sempre!

sábado, novembro 03, 2012

Sou assim

Sou assim.

Não pedi para o ser, mas fui existindo;
Agraudei com isto que me define;
Adaptei-me aos demais ambientes e luzi;
Concebo os possíveis para te deleitar;
Lamento que não o envolvas;
Mas sou mesmo assim.

quarta-feira, setembro 05, 2012

R.I.P. Kazan

Foi com profunda tristeza que te encontrei hoje, deitado no teu leito de morte. Não mais o grande amigo que muitas alegrias me deu, muitas bulhas comigo lutou... e com quem troquei algumas dentadas. Apenas um invólucro vazio e triste... sem uma pinga do fulgor que em tempos apresentaste. Carne, ossos, pelo... mas já não eras tu. Creio que é mesmo assim a lei da morte. Há um momento na vida em que ela chega e leva o melhor de cada um... a sua alma.

Completavas 12 anos amanhã companheiro... Espero que esses 12 anos tenham sido tão bons para ti como foram para quem contigo partilhou esta tua curta passagem pelo planeta. Resta-me o conforto de que os teus últimos dias não foram de qualquer sofrimento e que o negro cavaleiro te levou enquanto descansavas; que no fundo sabias que seria hoje o dia.

A ti camarada, tenho a agradecer o tempo que passamos juntos, as manias e dores de cabeça que me deste, e principalmente o conforto que proporcionavas sempre que eu chegava de viagem, quando me presenteavas com a tua presença ao portão, como se soubesses que estava prestes a chegar. Sempre pontual... meu bom amigo.

Bem hajas por me teres dado a oportunidade de partilhar este mundo contigo. Para mim foi um privilégio.

Descansa em paz Kazan. Estarás sempre aqui!


quinta-feira, agosto 23, 2012

Politicus Curruptus


Políticos corruptos com belas caudas de pavão;
Nascidos em berço de ouro só olham à sua condição;
Destroem à bruta tudo aquilo que construímos;
E no fim ainda levam o que é nosso pró caixão.

Tristes criaturas sem amor nem compaixão;
Se o povo é o peixe então eles são o tubarão;
Andam sempre a rondar o sustento que garantimos;
E são o único bicho a quem não falta a refeição.

Conduzem a nossa bela nação com tamanha incúria;
A sua malfadada gestão apenas leva a mais penúria;
Houvesse tanto bom senso quanto há de ambição;
E não estaria o povo farto da vossa triste lamúria.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Comparando...

Texto original de António José Telo - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Leia-se então:

"(...) A chamada «ditadura financeira» (1928-1932) deve ser entendida como a última de uma longa série de intervenções anormais na finança portuguesa que visam, na realidade, resolver o «problema político» do Estado. A série é iniciada em 1892, quando os teóricos da «vida nova» ensaiam pela primeira vez uma estratégia que começa pela acção financeira. Há um paralelo entre Oliveira Martins e Oliveira Salazar, como  dois políticos que, separados por quase quarenta anos, tentam algo de semelhante em conjunturas muito diferentes.

O que pretendem é resolver a crise da autoridade do Estado liberal na sua nova fase, que, em Portugal, começa em 1890-1891. Ambos pensam que a crise política e a crise financeira são interdependentes, como manifestações de um desajustamento do aparelho central do Estado, que se reflecte numa crise da autoridade. Na sua opinião, a reformulação do aparelho político central do Estado, nas condições muito peculiares de Portugal, terá de ser feita de cima para baixo, ou seja, terá de ser feita a partir do governo. Para tal é necessário que um pequeno grupo consiga antes o controle deste e o consolide através de uma obra financeira de austeridade, de modo a criar as condições para reformular as estruturas políticas. Como a política de austeridade é impopular, o governo que a exerce terá de, muito possivelmente, se apoiar numa ditadura. Para Oliveira Martins, tal implica a acção extraconstitucional do monarca, apoiado no exército; para Oliveira Salazar, a acção das forças armadas é directa.

De qualquer modo, a ditadura é uma mera fase transitória. O objectivo último é resolver a crise da  autoridade do Estado, através da construção de uma nova base de apoio social e da reformulação das estruturas do poder e da articulação das suas funções. A obra financeira é só um primeiro passo.

Na realidade, podemos dizer que só houve nestes quarenta anos um caso importante de tentativa de criação de uma unidade conservadora que não partiu de uma acção financeira. Trata-se de Sidónio Pais, numa conjuntura muito peculiar — a fase final da primeira guerra —, quando os problemas financeiros internos e externos foram «resolvidos» com soluções únicas e impossíveis de repetir: o primeiro pelo contrato com o Banco de Portugal de 1918 e o segundo pelo crédito de guerra da Inglaterra.

Há várias razões que explicam este paralelo entre Oliveira Martins e Salazar. Vou mencionar somente a principal: entre 1890-1891 e 1930-1931 vigora em Portugal um mesmo modelo económico, que passa por diversas fases. Não há espaço para caracterizar sequer resumidamente este modelo, mas podemos dizer que ele se identifica com a primeira revolução industrial. É uma «revolução industrial» à portuguesa: moderada, lenta, segundo padrões da Europa, centrada numa indústria ligeira sem competitividade internacional — salvo honrosas e raras excepções — e virada para dentro, para o mercado protegido do continente e do império.

Este modelo económico começa e acaba com duas importantes crises internacionais: a de 1890-1891 e a de 1929-1931. A primeira serve de base à curta passagem de Oliveira Martins pelo executivo. A segunda permite a Oliveira Salazar completar a obra financeira que iniciou em 1928 e, simultaneamente, criar a base social do «Estado Novo» e do modelo económico que começa em 1931.

É significativo, e de modo nenhum casual, que os pontos extremos deste modelo económico sejam marcados por fortes crises internacionais, que se reflectem em Portugal numa dimensão sobretudo financeira. Na realidade, o que está em causa em última instância é a forma de inserção de Portugal no sistema económico internacional e, dentro deste, o equilíbrio dos principais fluxos financeiros. As conjunturas de crise geral facilitam e apressam as mudanças, que assumem a forma de reajustamento dos fluxos financeiros internacionais. O que se pretende nas alturas de transição é encontrar um equilíbrio para as entradas e saídas regulares, através das quais se estabelece o futuro funcionamento estável do modelo."

Excerto de "A obra financeira de Salazar: a «ditadura financeira» como caminho para a unidade política, 1928-1932" em Análise Social, vol. XXIX (128), 1994 (4.°), 779-800. Acedido online à data deste post, através do link: Análise Social

sexta-feira, agosto 03, 2012

Pressão


E quer o povo português afiançar,
Que por mal-amada imposição,
Muito ouro se possa granjear,
Sem esforço feito em vão.

Pois cuidai-vos ó vis incautos,
Que a ignorância pode trucidar,
E nem os mais ignóbeis arautos,
Contra a natureza podem operar.

Do apoio há muito requerido,
Pouco se viu com resolução,
Meu exíguo Portugal querido,
Tanto vos faltai a retidão!

terça-feira, julho 17, 2012

Quote

"Os homens hesitam menos em ofender quem se faz amar do que em ofender quem se faz temer; porque o amor é mantido por um vínculo de obrigação que, por serem os homens pérfidos, é rompido por qualquer ocasião em benefício próprio; mas o temor é mantido por um medo de punição que não abandona jamais."

Niccolo Maquiavel

domingo, abril 01, 2012

Quote


Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um palácio abandonado...
Minha história não sei...
Longe em mim, fumo de eu pensá-la, morre
A ideia de que tive algum passado...

Eu não sei o que sou.
Não sei se sou o sonho
Que alguém do outro mundo esteja tendo...
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa história que um deus está relendo...

                      Fernando Pessoa